17 de setembro de 2017

DUBLADOR EM FOCO (115): WALDIR WEY


Waldir Wey nasceu em 10 de fevereiro de 1915, no Rio de Janeiro. Ao atingir 18 anos já era grande admirador dos programas de Rádio, mas seu pai exigiu que fizesse um curso superior.

Ao mesmo tempo que cursava a faculdade de Direito, já estava frequentando o meio artístico, onde rapidamente conseguiu galgar diversos segmentos dentro da programação do Rádio. Sua extrema competência, aliada a sua sonoridade com a voz, fizeram com que rapidamente se tornasse um nome muito conhecido.


Apesar de ter se formado, não exerceu a carreira de advogado e, em 1945, com apenas 30 anos de idade já era contratado da Rádio Cultura, como radioator e diretor de radionovelas.

Waldir Wey passou a ser um profissional muito disputado entre as emissoras de Rádio na década de 1950, participando de diversos tipos de programa, como Debate sobre Cinema na Rádio Excelsior.

Em 1950, é contratado pela Rádio América como diretor geral de dramaturgia. Era responsável pela escalação de radioatores, supervisionava os textos, dirigia radionovelas e ainda participava como radioator.



*Dublando o ator Victor Buono ao lado de Ronaldo Baptista*


Ronaldo Baptista em seu livro "Na Pele do Lobo", relata como o conheceu em 1951 na Rádio América:




" Eu e HELENA SAMARA tomamos um verdadeiro “chá de cadeira” que durou uma semana. Ao fim da qual, eu acabei desistindo. Era uma sexta-feira quando deixei de comparecer. Desisti. Cansei. No dia seguinte, sábado, desanimado, no apartamento onde vivia com meus pais, no Parque São Jorge, de repente ouvimos a campainha  da porta. Minha mãe atendeu. Um jovem estranho para ela. Mas não para mim. Qual a minha surpresa ao vislumbrar na porta entreaberta, a figura do Valdir Bernardini, meu colega de testes na Radio América. Meu Deus! O que estava acontecendo? Mandei entrar e abracei-o. Ele pegara o meu endereço na Radio, e a pedido do seu xará WALDIR WEY, trouxe-me um recado. Pedia que eu comparecesse naquela emissora na segunda-feira para conversar com ele. Imaginem a minha surpresa e a minha alegria com esse recado. Indescritível alegria compartilhada com meus pais e com o companheiro que fizera a gentileza de me procurar. Mil vezes agradecido, no dia marcado, bem cedo, lá estava eu na sala do Diretor. O WALDIR WEY olhou para mim, e com um sorriso maroto e aquele jeitão carioca me disse: “ADEMIR...VOCÊ VENCEU PELO CANSAÇO...VOU TE CONTRATAR!”
Como eu era muito magro e tinha um queixo proeminente, dolicocéfalo, ele passou a me chamar de ADEMIR, nome do grande e famoso jogador do Vasco da Gama. Minha reação foi de pura felicidade. Se eu fosse mais desinibido, teria dado um pulo e abraçado o dito-cujo. Mas o carioca poderia ter me interpretado mal. Então continuou: “Você vai assinar um contrato de seis meses, experimentalmente, que poderá ser renovado pelo mesmo tempo, dependendo de você. A verba que eu tenho é 1.500 cruzeiros, OK?” 

O WALDIR estava escrevendo para ir ao ar um seriado de um super-herói criado por ele, e que seria a menina dos seus olhos: “O LOBO VERMELHO”. AS AVENTURAS DO LOBO VERMELHO seriam sempre ambientadas no velho oeste americano, tendo o herói, por fiel companheiro, o ÍNDIO CALUNGA, e por exclusiva montaria, o cavalo BLACK. Quer dizer... COVER daquele célebre heroi dos velhos tempos, dos ANOS
40... conhecido e cultuado como “O VINGADOR”. Porém, em virtude deste nome haver sido patenteado pela STANDARD PROPAGANDA e pela COLGATE-PALMOLIVE, o redator apenas substituiu o nome do personagem principal. No resto, tudo igual. Mas... o mais impressionante de tudo isso, por mais inverossímil que possa parecer, e que me deixou perplexo, extasiado, provando mais uma vez que a verdade é mais estranha do que a própria ficção, é que aquele diretor que estava me contratando, era
nada mais, nada menos que o grande ícone dos meus tempos de criança. Em carne e osso, ali estava diante dos meus olhos, o antigo ídolo, mais forte do que nunca: O VINGADOR!  Destino? Coincidência? MAKTUB!  WALDIR WEY – O HERÓI DO MEU SONHO... transformado em REALIDADE.  E que “sonhadora” realidade. O Ídolo inesquecível de todas as crianças do Brasil. Infelizmente já não se encontra mais entre nós. Mas trabalhou como tradutor de filmes até o fim.”

Ainda Waldir Wey participaria da Rádio Tamoio e Rádio Nacional de São Paulo. 
Com a chegada da televisão no Brasil, Waldir Wey retornou ao Rio de Janeiro, onde foi contratado pela Rádio e TV Tupi, onde atuava ensaiando e dirigindo elenco.
Evidentemente, alguns anos depois também participa da TV Rio, até escrevendo algumas novelas, ainda não diárias.


**A voz do vilão em Império Submarino**

Retorna para São Paulo a convite da TV Paulista, onde fez diversas atividades não só na dramaturgia, chegando a ser apresentador de programas.

**A DUBLAGEM**

Waldir Wey era um exímio tradutor. Com o número cada vez maior de filmes e séries de TV para serem dublados, é convidado por Wolner Camargo para trabalhar na AIC em 1964.

Segundo Ronaldo Baptista, fez inúmeras traduções de filmes, inclusive o filme "Melodia Imortal" com Tyrone Power, dublado por Ronaldo Baptista.
Suas traduções era tão primorosas para a dublagem, que traduziu inúmeros estilos de filmes: westerns, dramas, suspense, etc, e todos com indicação adequada para o dublador, devido à sincronia.

Waldir Wey, a pedido do diretor Amaury Costa, acabou traduzindo o grande lançamento de Hanna-Barbera: "Jonny Quest".



Evidentemente, com sua enorme experiência em radioteatro foi requisitado também para a dublagem, a qual a exerceu com extrema qualidade, porém as traduções o absorviam tanto que participou de poucas dublagens na AIC.

Além de dublar em alguns filmes, eventualmente, participou da dublagem de diversos episódios de Jonny Quest e episódios das duas primeiras temporadas de Viagem ao Fundo do Mar, além dos antigos seriados de cinema que foram exibidos na televisão, como Império Submarino, no qual dubla o vilão.

Em alguns episódios da série Jeannie é um Gênio, narra o prólogo em alguns episódios da 1ª temporada.

Há poucos episódios dublando algum vilão em Os Três Patetas e, com o afastamento de José de Freitas da dublagem de Shemp, Hélio Porto o escalou para o personagem.



Entretanto, dublou pouquíssimo Shemp, uma vez que se afastou da AIC por concordar com Wolner Camargo e Hélio Porto numa polêmica interna da empresa e se retira também em fins de 1967.

Após a sua saída da AIC, continuou traduzindo filmes para o estúdio Odil e retornou para o Rádio, onde teria participado de programas de debates esportivos.

Com o surgimento da Álamo, em 1972, mais uma vez foi um nome requisitado para traduções, algumas dublagens e até direção de dublagem.
Durante a década de 70, esteve ligado também aos projetos da recente TV Cultura de São Paulo, vindo a participar do teleteatro da emissora.
Com o surgimento da BKS, em 1976, também participou de dublagens de diversos filmes.

Apesar de participar da dublagem de muitos filmes, foi em séries, e mais especificamente em uma série japonesa que sua voz se tornou famosa no Brasil. A série japonesa Jiraiya - O Incrível Ninja, onde dublou Tetsuzan Yamaji, interpretado por Masaaki Hatsumi, o mestre de Jiraiya.

**Tetsuzan Yamaji**


Ainda na década de 80, participou da novela Razão de Viver produzida pelo SBT.

Waldir Wey veio a falecer no dia 5 de dezembro de 1996, aos 81 anos de idade, de complicações do surgimento de um Mal de Parkinson.

**Um artista que atuou em diversas áreas com uma competência extraordinária, deixando um grande exemplo a ser seguido**


**VAMOS REVER ALGUMAS DUBLAGENS DE WALDIR WEY**


**VÍDEO 1 / VILÃO NUM EPISÓDIO DE OS 3 PATETAS**


**VÍDEO 2 / DUBLANDO O PERSONAGEM SHEMP**


**VÍDEO 3 / DUBLANDO O ATOR VICTOR BUONO EM VIAGEM AO FUNDO DO MAR**

**Fonte de Pesquisa: Site Casa da Dublagem.

*Livro: "Na Pele do Lobo" de Ronaldo Baptista.
*Arquivo Pessoal*

**Agradecimento especial a Rodolfo Rodrigues Wey (sobrinho-neto)**


**Marco Antônio dos Santos**