7 de junho de 2009

ATORES QUE PASSARAM PELA AIC


 **DÉCADA DE 1960**

Hoje, ao assistirmos às novelas de nossa televisão, nem imaginamos que alguns atores passaram pelos estúdios da rua Tibério, que estavam iniciando a sua carreira artística.

Alguns, ficaram um período mais longo, como Dênis Carvalho, o qual já abordamos especificamente, assim como Osmar Prado também permaneceu um pouco mais, o qual fez inúmeras dublagens.

Aqui, temos: Tony Ramos, Cláudio Marzo, Roberto Pirilo, Eduardo Abbas  e Elaine Cristina.

Segundo registros de entrevistas com os atores na extinta revista Amiga, no início da década de 1970, eles mencionaram sua passagem pela AIC, apesar de serem bem curtas, segundo eles próprios.

**TONY RAMOS: segundo menciona, foi convidado por Ribeiro Filho, que viu o seu potencial, porém ainda na extinta Tv Tupi, não tinha o espaço necessário e o viam como um simples figurante. Assim, para sobreviver foi dublar na AIC e conseguiu ganhar até um personagem fixo na série A Escuna do Diabo, um marinheiro que falava sem muitas complicações (segundo ele menciona), além de um personagem fixo na série O Homem de Virgínia. Mas, coube ao diretor Geraldo Vietri descobrir o seu talento e absorvê-lo totalmente nas novelas. Por isso, conforme a revista, ele não ficou mais do que um ano na AIC.


**CLÁUDIO MARZO**

Este excelente ator já vinha de teatro amador, algumas pontas em filmes e diversas pontas no TV de Vanguarda da Tv Tupi.
 Ele acreditava no seu potencial e sempre aguardou o momento certo.

Com o golpe militar, em 1964, o Teatro e o Cinema praticamente paralisaram e Cláudio Marzo foi parar também na AIC e no estúdio Ibrasom. Porém, ele confessa que foi um período muito enriquecedor para a sua carreira, mas o seu grande objetivo era ser ator.


A oportunidade veio com a inauguração da Tv Globo, em 1965, onde Cláudio Marzo foi o galã de diversas novelas. Também não houve um personagem fixo dublado por ele.


Cláudio Marzo faleceu no dia 22 de março de 2015, aos 74 anos, vítima de complicações de um efisema pulmonar.



 
**ROBERTO PIRILO**

 Após participar de alguns TVS de Vanguarda, na extinta TV Tupi, foi para a AIC bem no seu início e deixou dublagens em filmes e algumas séries, porém nunca teve um personagem fixo e dublou personagens sem muito destaque. Em 1965 se transfere para a TV Globo, onde fez uma extensa carreira em telenovelas.



**EDUARDO ABBAS**


Eduardo Abbas foi um ator brasileiro, nascido em São Paulo, em 1930.
Estreou na televisão nos famosos TV Teatro, em 1958; TV de Comédia, em 1958; e TV de Vanguarda, em 1959. Logo se destaca como importante coadjuvante, com seu jeitão de boa–praça, descendente de árabes, sendo muito requisitado, não só na televisão, como no cinema, onde estreia em 1960 no filme Cidade Ameaçada, de Roberto Farias.

Como ator, participou de dezenas de telenovelas, em praticamente todas as emissoras, como em Klaus, o Loiro (1963), As Professorinhas (1965) e Calúnia (1966), pela TV Tupi;
 Legião dos Esquecidos (1968) e A Pequena Órfã (1968), pela TV Excelsior;
 Pingo de Gente (1971) e Sol Amarelo (1971), pela TV Record;
 Cavalo Amarelo (1980) e Chapadão do Bugre (1988), pela TV Bandeirantes,
 Jerônimo (1984), pelo SBT, e Grande Sertão: Veredas (1985), pela TV Globo, além de diversos Teatro 2 pela TV Cultura de São Paulo.

No cinema, teve longínqua carreira, participou de mais de vinte filmes, como Lampião, o Rei do Cangaço (1963), Corisco, o Diabo Loiro (1969), Asa Branca – Um Sonho Brasileiro (1980) e Filho Adotivo (1984).

 Teve um rápida passagem pela AIC. 
Durante as dublagens de Os 3 Patetas, Borges de Barros ficou acamado e, devido à necessidade de cumprir os prazos para a entrega dos episódios para a TV Record, Eduardo Abbas foi convidado por Hélio Porto para dublar Moe Howard.

Eduardo Abbas o interpretou corretamente, sendo ranzinza e impaciente, mas superar a maestria de Borges de Barros, para um estreante na dublagem, era uma missão impossível.
Chegou a dublar cerca de 4 a 6 episódios, mas com o retorno de Borges de Barros, declinou do convite de dublar na AIC, pois achava difícil a interpretação com a sincronia.

 Eduardo Abbas faleceu em São Paulo, em 1992, aos 62 anos de idade, de enfarto fulminante.

**Aqui, um dos raros episódios em que Eduardo Abbas dublou Moe em Os 3 Patetas**





 Sua história artística também se parece com a de Tony Ramos, ambos na Tupi. O falecido diretor Geraldo Vietri viu a possibilidade de um novo par romântico, uma vez que, a extinta Tv Excelsior era líder de audiência em novelas na época. Porém, Elaine Cristina deixou seu registro de voz em filmes, muitos dos quais já foram redublados. Sua interpretação e voz serviam para as moças meigas e ingênuas (segundo ela menciona).

 Elaine Cristina participou de poucas séries dublando convidadas. Encontramos na 2ª temporada de A Caldeira do Diabo e na 7ª temporada de A Feiticeira, mostras da sua dublagem. É irmã da dubladora e diretora de dublagem Gilmara Sanches.

Assim, registramos aqui, como a AIC foi também uma grande escola para atores que viriam a desenvolver a carreira artística durante os anos seguintes.

 
**Encontramos na série A Caldeira do Diabo (Peyton Place), Elaine Cristina dublando ao lado de Dráusio de Oliveira**


**Marco Antônio dos Santos***

4 de junho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (54): LÍRIA MARÇAL


**LÍRIA MARÇAL NA DÉCADA DE 1960**

Líria Marçal foi uma das dubladoras mais atuantes da AIC, por outro lado, há anos tentamos localizar uma fotografia sua e , recentemente, foi nos enviada, através de um colaborador de nosso trabalho. Obtivemos, certa vez, a sua descrição física, que revela ter sido uma mulher muito bela: cabelos escuros, longos e olhos claros.


Nasceu em 6 de junho de 1935, na cidade de Lins/SP, e seu nome verdadeiro era Daisy Pulice. Não obtivemos informações ainda como surgiu o seu nome artístico.
Também consta de que já havia participado de algumas radionovelas, pois sua voz e interpretação são inesquecíveis.

Sua personagem mais conhecida é Jeannie, onde dublou as cinco temporadas da série. No início, a personagem é um pouco mais séria, mas a partir da 2ª temporada ela vai mais para a comédia e Líria Marçal foi perfeita para personagem.



Geralmente em filmes, ficava com as mulheres mais sedutoras, mais charmosas. Dona de uma voz "macia", conseguia dar o tom exato da personagem.


O interessante é que Líria Marçal também conseguia colocar a sua voz e interpretação até para senhoras. Na série Big Valley, ela substitui Gessy Fonseca na dublagem da atriz Barbara Stamwick (Vitória Barkley), a matriarca da família que vivia com seus filhos num rancho. Outra série de enorme sucesso no final da década de 1960.
 Dublou diversas atrizes convidadas em inúmeros filmes e séries de tv da época: A Feiticeira, Jornada nas Estrelas, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Lancer,etc.



**2ª VOZ DE BARBARA STAMWICK (VITÓRIA BARKLEY) NA SÉRIE BIG VALLEY**


Paralelamente, consiguimos descobrir a sua participação em três novelas:


**Em 1965/66 na novela "O Ébrio" na Tv Globo.

**Em 1968 na novela "Nunca é tarde demais" na Tv Bandeirantes.

**Em 1970 na novela "As asas são para voar" na Tv Bandeirantes.


Evidentemente, os tapes dessas novelas foram destruídos nos incêndios que a Tv Bandeirantes e Tv Globo sofreram.

Em 1973, voltou a dublar Jeannie na versão animada produzida por Hanna Barbera.

Depois da dublagem desse desenho não conseguimos obter nenhuma informação a seu respeito!
Faleceu no dia 8 de julho de 1996, segundo consta vítima de câncer, aos 61 anos de idade.

Líria Marçal foi uma excelente dubladora e atriz que caiu no imenso anonimato desse nosso Brasil. Porém, os fãs de Jeannie podem ouví-la, atualmente, em DVD. Uma obra para a eternidade!

**VAMOS REVER A DUBLAGEM DE LÍRIA MARÇAL**


**A VOZ INESQUECÍVEL DE JEANNIE**
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**DUBLANDO SOPHIA LOREN NO FILME "ARABESQUE"**
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**Na série Big Valley, a 2ª voz de Vitória Barckley**
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**Marco Antônio dos Santos**

1 de junho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (53): MAGNO MARINO


**MAGNO MARINO NA DÉCADA DE 1960**


Da biografia deste dublador tão ativo, da década de 1960, sabemos muito pouco. Pesquisamos ao máximo sua presença nos estúdios da época e conseguimos esboçar um pequeno trajeto.

Nosso primeiro registro sonoro de Magno Marino é ainda no estúdio Gravasom, onde narrava as aberturas da série Além da Imaginação e dublava Rod Serling no resumo daquilo que o episódio iria apresentar.

Aqui, é bom frisar que Magno Marino fora substituído, algumas vezes, por Waldyr Guedes e por Ronaldo Baptista.



Na AIC, sua carreira continua bem marcante, fazendo algumas participações em desenhos da época, mas teve um personagem fixo, o qual fez a sua 1ª voz, "Chuvisco", sendo ,posteriormente substituído por Arakén Saldanha.
Aliás, nesse desenho, temos o maravilhoso trio: Older Cazarré, Gastão Renné e Magno Marino, onde Chuvisco sempre acabava se dando mal para pegar "esses roedores". Também foi o dublador de Catatau, sendo substituído, eventualmente, por Roberto Barreiros.



**A 1ª VOZ DO GATO CHUVISCO**



 

**A VOZ MAIS FREQUENTE DO URSO CATATAU**



Seguindo a experiência de Além da Imaginação, também foi o introdutor do enredo na série "Cidade Nua" e, no final do episódio, a célebre frase: "Há 8 milhões de histórias na cidade nua, esta foi apenas uma delas".
**Logotipo da abertura da série de tv Cidade Nua**




Fez a 2ª voz do General Peterson em Jeannie é um Gênio, a partir da 2ª temporada.




** 2ª VOZ DO GENERAL PETERSON / 2ª e 3ª TEMPORADAS DE JEANNIE É UM GÊNIO**




Também foi diretor de dublagem e surgia esporadicamente nas séries de tv da época: Viagem ao Fundo do Mar, A Feiticeira, Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Jornada nas Estrelas, etc.

Em meados de 1968, Magno Marino se transfere para o Rio de Janeiro, onde foi participar do novo estúdio TV Cinesom, onde dirigiu e dublou algumas séries. Ao término do estúdio, ainda teve uma rápida passagem pela Peri Filmes e Herbert Richers.

Em 1976, participou na Tv Globo da novela "Vejo a Lua no Céu", porém com o nome artístico de Magno Egydio. Seu personagem era o tio da personagem intrepretada pela atriz Norma Blum.
 Continuou na TV Globo participando da linha de jornalismo da emissora. Magno Marino faleceu em 1991, vítima de um enfarto.

Sua filha, Magda Medeiros, também dublou na AIC. Quem tiver o episódio "O Cyborg" de Viagem ao Fundo do Mar, ouvirá a sua voz dublando a andróide que salva o almirante Nelson, além de diversas participações em desenhos como Os Flintstones, Manda-Chuva, etc.



**Fica aqui documentado o grande talento desse dublador de voz firme e pausada**


Para aqueles que quiserem recordar:


***Magno Marino dublando Catatau, o grande amigo de Zé Colmeia:
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**A voz do gato Chuvisco**
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**Neste outro vídeo, Magno Marino dubla o monstro na série Viagem ao Fundo do Mar. Uma transformação vocal excelente:
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***Marco Antônio dos Santos***