10 de junho de 2012

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (13): PERDIDOS NO ESPAÇO / PARTE 1


Perdidos no Espaço foi exibido originalmente nos Estados Unidos pela
 rede CBS, entre 15 de setembro de 1965 a 6 de março de 1968, num total de 83 episódios, em 3 temporadas.

A história da série começa em 16 de outubro de 1997, dia de partida da espaçonave Júpiter II, que levaria novos colonos no final do século XX, a caminho de Alpha Centauri, em busca de outros locais habitáveis na galáxia e solucionar o problema de super-população da Terra.

Mediante provas telescópicas, os cientistas descobriram que um planeta que girava ao redor da estrela Alpha Centauri possuía todas as condições de vida necessárias para o ser humano. Com esta descoberta, o governo dos Estados Unidos decidiu enviar numa missão espacial tripulada pela família Robinson, composta pelo professor John (pai), pela bioquímica Maureen (mãe) e pelo seus três filhos: Juddy, Penny e Will, o caçula.

A viagem duraria 5 anos a bordo da nave Júpiter II, em estado de animação, tendo como piloto Donald West, que estava completamente capacitado para comandar a nave se caso ocorresse uma falha no sistema automático de navegação. 

West também era uma espécie de namorado de Juddy Robinson, uma relação que não era muito bem explicada, provavelmente devido à forte censura da época. Além dele, a nave contava com um robô chamado B-9, programado para auxiliar os tripulantes em tudo que fosse necessário. 



O governo sabia que este projeto tinha uma importância fundamental para a humanidade e por isso mesmo corria grande risco de ser sabotado por outros países que competiam na corrida espacial. Sem que ninguém soubesse a origem de sua representação, um agente inimigo chamado de Doutor Zachary Smith é infiltrado, disfarçado como encarregado de monitorar a saúde dos viajantes antes de sua partida. 

O agente Smith reprograma o robô da nave para que ele inicie a destruição quando a nave estivesse num ponto determinado a caminho de seu destino. Mas, ironicamente seu plano fracassa quando ao acertar os últimos detalhes ele acaba ficando preso dentro da nave e acaba partindo juntamente com a tripulação. 

A certa altura o robô inicia sua programação de destruir a nave. Desesperado Smith não tem outra alternativa senão despertar o piloto e os Robinsons, mas mesmo assim grande parte dos controles são destruídos, somando o peso extra de mais um passageiro, deixando a nave impossibilitada de retornar a Terra e, assim, começa um longa viagem perdidos na imensidão do espaço.


O primeiro piloto da série Perdidos no Espaço foi chamado de "No Place to Ride" e mostrava somente a família Robinson e o major West, a nave não se chamava Júpiter II, mas sim Gemini 12, que se perdiam no espaço na procura de um novo planeta habitável para a humanidade.
Este episódio piloto nunca foi apresentado tendo sido arquivado após a uma interferência do coordenador Anthony Wilson que achou melhor incorporar um vilão e um robô, transformando assim o primeiro episódio em também no novo piloto da série.

O robô B-9 foi construído por Bob Stewart, onde dentro dele ficava Bob May que manipulava internamente o robô, a voz dele era de Dick Tufeld que também era o narrador da série. 


A princípio, o Doutor Smith era um personagem menor destinado a ser logo eliminado após o 5º episódio (Mar Revolto). Se observarmos atentamente, verificaremos que o Dr. Smith e o Robô ficam dentro da espaçonave, enquanto os demais exploram o planeta (aqui, foram utilizadas cenas do piloto "No Pace to Ride"), por isso ambos permanecem no Júpiter II. Entretanto, Harris começou a transformar o personagem e Allen não se incomodou, ao contrário, cada vez mais dizia: "faça".

Harris conseguiu mostrar as diversas facetas do personagem do Dr. Smith, criando novos elementos ao personagem, indo de um frio espião, passando por um covarde absoluto, egoísta, chantagista e às vezes até um bebê chorão ! 

Muitas vezes, em poucos minutos, ele conseguia mostrar diversas expressões faciais e corporais, como se a cada instante um novo personagem surgisse, como num passe de mágica. Poucos personagens do cinema ou da televisão tiveram essa riqueza de personalidades que Jonathan Harris havia criado ao Dr. Smith. Insuperável !


 A repercussão do personagem foi tomando tamanha proporção e popularidade que praticamente era impossível assistir a série sem ele. A audiência começou a responder favoravelmente ao personagem, que o Dr. Smith, Will e o Robô tomavam conta de quase todas as cenas.



Guy Williams, que deveria ser a estrela do programa, assim como o restante do grupo se tornarem meros coadjuvantes das atrapalhadas que Smith aprontava. O crescimento do personagem ocasionou a desativação do projeto original, que era de um ciclo de aventuras e se transformou numa aventura intergalática fantástica. 
Até o robô, com o decorrer do tempo passou a apresentar características humanas, como cantar quando estava alegre, reclamar quando alguma coisa não estava funcionando direito nele e desenvolveu até um carinho fraternal pelo garoto Will e pelo Dr. Smith, apesar de taxado a todo o momento pelo Doutor como "paspalhão enferrujado" ..."sua lata de sardinha" e coisas do gênero.


Os episódios da 1ª temporada ainda seguiram a linha idealizada por Allen, ou seja, uma família tentando colonizar e explorar um planeta desconhecido, mas com a companhia do Doutor Zachary Smith que sempre se envolvia nas mais diversas confusões a fim de enriquecer, retornar a Terra, etc.
Os roteiros são mais bem definidos e com diversas mensagens, principalmente no tocante ao amor e união da família.

Uma estratégia para que o telespectador quisesse assistir ao próximo episódio foi utilizar uma parada de cena com algum perigo iminente, assim surgia o narrador : "será o fim dos nossos amigos do espaço ? Não deixe de ver na próxima semana, mais um episódio da série Perdidos no Espaço". Este recurso foi inspirado nos seriados de cinema da década de 1940, o que rendia sempre o retorno da pessoa para saber o que aconteceria com o herói.

** A SÉRIE NO BRASIL **

Perdidos no Espaço estreou no Brasil no dia 4 de dezembro de 1966, domingo, às 18h30, pela Tv Record, logo após o programa "Jovem Guarda", comandado por Roberto Carlos.

 A Tv Record sabedora do sucesso que a série fez nos Estados Unidos, colocou num horário estratégico, pois era exibido após um programa de enorme audiência e antes do programa de entrevistas de Hebe Camargo, o qual iniciava às 19h30, que também possuía um grande ibope. Perdidos no Espaço substituiu , no horário, a série de animação inglesa "Thunderbirds".


O sucesso foi tão imediato que a Tv Record em apenas duas semanas, já reprisava o episódio às quintas-feiras às 17h.



Perdidos no Espaço talvez seja uma das séries de tv mais exibidas no Brasil, fez uma trajetória por diversos anos em muitas emissoras, sempre com audiência garantida.

Em 1970, migra para a Tv Globo sendo exibido durante às tardes, após o Telejornal, porém a partir de abril de 1972, com a inauguração da Tv a cores no Brasil, a sua 1ª temporada deixa de ser exibida sendo penalizada pelo fato de ter sido produzida ainda em preto e branco. A Tv Globo exibiu as duas temporadas coloridas até 1974, mas a série ainda continuou em seu poder, inaugurando o horário matutino em 1977, já agora intercalando com as demais séries de Irwin Allen e Daniel Boone.

Somente em 1979 Perdidos no Espaço sairia da Tv Globo, migrando para a Tv Tupi, a qual já estava numa grave crise econômica que culminaria com o encerramento das suas atividades em julho de 1980.
Mas, Perdidos no Espaço era sinônimo de audiência e já no 2º semestre de 1982 começa a ser exibido pela Tv Bandeirantes, ficando no ar até meados de 1984.



De 1984 a 1988, a série não foi exibida em São Paulo, mas a Tv Guaíba de Porto Alegre exibiu somente as temporadas coloridas.
No ano de 1988, a Tv Gazeta de São Paulo traz para o horário nobre séries clássicas como Além da Imaginação, Cidade Nua, Rota 66 e Perdidos no Espaço retorna às sextas-feiras, às 21h30 e com a sua 1ª temporada, que há muitos anos não se via na televisão.
Novamente a audiência mostra o quanto a série é querida por seus fãs. Infelizmente, devido aos seus poucos recursos financeiros, a Tv Gazeta exibe a série somente até o episódio nº 54 (Os Colonizadores), perto do final da 2ª temporada.

Em agosto de 1990, Perdidos no Espaço retorna para a Tv Record para o "Manhã de Aventura", onde outras séries de Allen também foram exibidas até 1992.

Com o advento da tv a cabo no Brasil, o canal Fox chega, em 1993, e Perdidos no Espaço fica na grade de sua programação até 2000, sendo exibidos todos os 83 episódios. Já em 2004 começam a ser lançados os box da série em dvd e com a dublagem original totalmente restaurada.

** A DUBLAGEM DE PERDIDOS NO ESPAÇO **

Praticamente todas as dublagens realizadas pela AIC tiveram excelentes qualidades e muitas deixaram saudades. Entretanto, falar sobre a dublagem desta série é algo muito mais fantástico.
Conforme nossas conversas com os saudosos Helena Samara e Borges de Barros, houve uma total afinidade neste trabalho, levando a um êxito sem precedentes na dublagem brasileira.

A tradução inicial coube a Hélio Porto que também escalou o elenco original, que esteve junto durante toda a 1ª temporada. O personagem mais difícil de se encontrar um dublador a altura era Dr. Smith, devido à qualidade da interpretação de Jonathan Harris.
Hélio Porto não teve dúvidas quanto aos dubladores dos demais personagens, mas ele necessitava não simplesmente de um artista que soubesse trabalhar com a voz, mas também que conseguisse acompanhar as façanhas interpretativas de Harris.

Naquela época, Hélio Porto dispunha de dois dubladores excelentes que poderiam dublar Dr. Smith: Waldyr Guedes e Borges de Barros.
Assim, decidiu que ambos deveriam realizar um teste para o personagem. Para ele, os dois estavam perfeitamente adequados, mas preferiu deixar a decisão final para o estúdio Fox, que optou por Borges de Barros.

A Fox justificou a escolha declarando que a voz de Borges de Barros era bem diferente de Jonathan Harris, mas esse fator realssava toda uma interpretação praticamente igual a de Jonathan Harris.
Na realidade, Borges de Barros recriou um Dr. Smith que, além de realçar a interpretação do ator americano, fez uma dublagem fantástica ao ponto de não podermos ouvir Jonathan Harris sem a voz de Borges de Barros.

Esse fato foi  reconhecido pela AIC que, em outras participações do ator, escalou Borges de Barros para a dublá-lo. Assim, Jonathan Harris nas participações que teve nas séries A Feiticeira, Terra de Gigantes e Lancer, tivemos a maestria deste grande artista brasileiro.


As expressões para xingar o Robô como: "paspalho enferrujado", "ignóbil lata enferrujada", "lata de sardinha" e muitas outras, foram criadas pelo próprio Borges de Barros com a aprovação de Hélio Porto, uma vez que não havia uma correspondência do inglês para o português.

Segundo Borges de Barros, grande parte do sucesso da série se deve à tradução e direção de Hélio Porto, mas também à qualidade de todos os dubladores envolvidos.

**PERSONAGENS E DUBLADORES DA 1ª TEMPORADA**

*Professor Robinson: Astrogildo Filho.
*Maureen: Helena Samara.
*Major West: Ary de Toledo.
*Juddy: Neuza Maria.
*Penny: Maria Cristina Camargo.
*Will: Magali Sanches (até o episódio 22)
 e Maria Inês a partir do episódio 23 até o final da série.
*Dr. Smith: Borges de Barros.
*Robô B-9: José Soares (3 primeiros episódios),
 Jorgeh Ramos (até o episódio 19) 
e Amaury Costa (a partir do episódio 20).
*Narrador do episódio e abertura: Ibrahim Barchini.

Na 1ª temporada houve poucos atores convidados, mas encontramos as participações dos dubladores: Wolner Camargo, Arakén Saldanha, Rita Cleós, Judy Teixeira, Aldo César, Wilson Ribeiro, Rolando Boldrin, Osmar Prado, José Soares, Waldyr Guedes entre outros.

A dublagem de todos foi muito bem direcionada às características de cada personagem. Hélio Porto dirigiu cerca de 90% a 1ª temporada e, em alguns episódios, tivemos a direção de Ary de Toledo, como por exemplo, nos episódios "O Desafio" e "O Mercador do Espaço".
Conforme a dubladora Maria Inês nos relatou, foi o próprio Ary de Toledo que a convidou para dublar o ator convidado Kurt Russel em "O Desafio", mas já pretendia que ela ficasse com o personagem Will no episódio seguinte, uma vez que a dubladora Magali Sanches sairia da AIC para se dedicar , exclusivamente, a sua família.

Amaury Costa, como também tinha uma excelente experiência em direção de dublagem, dirigiu o episódio em que o Robô não participa do roteiro, "Nem Tudo que Reluz", um dos episódios mais expressivos para a dublagem de Borges de Barros.
 Aqui, ele vai de vilão a amoroso, arrependido, demonstrando seus sentimentos por Penny. Uma extraordinária atuação de Borges de Barros a este personagem tão complexo !

**Relembrando um episódio da 1ª Temporada**


 **E assim, a família Robinson atravessa diversas aventuras no espaço !!


**Veja na Parte 2 desta postagem:

    *O auge do sucesso de Perdidos no Espaço*
    *Produtos de Perdidos no Espaço*
    *As alterações dos dubladores fixos*
    *A saída de Hélio Porto da AIC*
    *A dificuldade da dublagem de Dr. Smith* 

 ** Marco Antônio dos Santos **

2 comentários:

Laerte Favero disse...

Agradeço a todos os que trabalharam neste seriado (em todos os sentidos) e que contribuíram para nosso maravilhoso mundo mágico.

Pedagoga disse...

Muito obrigadeo por trazer de volta essa lembrança tao boa da minha infancia ,aepoca que eu tinha minha mae aqui e meu pai ,eu amava esse seriado,poderia voltar a passar,novamente ,parabens

Postar um comentário