26 de outubro de 2013

CONVERSANDO SOBRE ÊNIO FERREIRA


**INTRODUÇÃO**
Ênio Ferreira foi um excelente radioator durante toda a década de 1950 o que o levou a ser escolhido para ser o dublador de Robert Young na série Papai Sabe Tudo.
Dublou o personagem nas 4 primeiras temporadas da série, ainda quando a AIC se chamava Gravasom.
Em contato com o seu filho Ricardo Pereira Lima Haddad, ele se prontificou a nos dar mais informações sobre este artista, o qual encantou milhares de jovens com esta série de grande sucesso do final da década de 50 e durante toda a década de 60.



1 - Qual a cidade natal de Ênio Ferreira e a data de seu nascimento ? Quais as causas de seu falecimento, sua idade e quando ocorreu ?

R: Nasceu em São Paulo em 29 de agosto de 1935. Faleceu no dia 30 de março de 2007, também em São Paulo, em decorrência de um câncer.


2 - Conte-nos sobre como foi o início da carreira de seu pai, em Rádio. Ele sempre quis ser artista ?

R: Ele iniciou sua carreira na cidade de Poços de Caldas, na Rádio Cultura local, no ano de 1950. Como já era um fã de Rádio e, apesar do preconceito da sociedade da época que não via com bons olhos os profissionais que se dedicavam a esse meio de comunicação, ele acalentava uma enorme vontade de ingressar no Rádio.
 Procurou a Rádio Cultura, onde já estivera várias vezes para assistir aos programas de auditório, mas desta feita para falar com o diretor. Pediu e conseguiu fazer um teste de voz. Fez e passou na função de locutor comercial e de apresentador de programas , enfim, uma experiência importante que encheu-lhe de confiança para, meses depois, reunir coragem para tentar fazer um teste no rádio paulistano, numa das mais importantes rádios da cidade de São Paulo, a Rádio Tupi.


3 - No Rádio, como ele chegou a ser radioator, quando e em que emissora isso ocorreu ?

R: Depois de fazer um teste na Rádio Tupi de São Paulo, no final de 1950,  assumiu a função de narrador de um programa dirigido ao público infantil (Clube do Canguru Mirim). Em 1951 se transferiu para a Rádio Panamericana (que existe até hoje, embora desde 1965 tenha passado a adotar o nome fantasia de Jovem Pan). Esta estação era conhecida como "A Emissora dos Esportes", pois tinha uma excelente equipe dedicada às coberturas esportivas, principalmente, claro, ao futebol.  Meu pai se deu muito bem tanto na apresentação de programas românticos, onde lia cartas de amor, interpretando-as com sua voz bonita e límpida, ou respondia as angústias das radiouvintes, quando estas lhe expunham algum problema, principalmente relacionado à vida afetiva, quanto na interpretação das muitas radionovelas que a Rádio São Paulo levava ao ar diariamente e que tanto sucesso faziam à época, não só em São Paulo, como no Brasil inteiro. Começa, a partir daí, a carreira de meu pai como radioator e também como apresentador de programas voltados ao público feminino, onde seu carisma e sua voz maravilhosa motivariam muitas ouvintes a mandar-lhe cartas apaixonadas.


4 - Você possui lembranças dele como radioator, do seu dia a dia, como era ser filho de um profissional tão importante na era de ouro do Rádio ?

R: Por ser o filho mais velho foi-me dada a oportunidade de conhecer um pouquinho dessa era, embora minhas lembranças, devido à pouca idade (uns 4 ou 5 anos), sejam um tanto difusas. Lembro-me bem de ter ido com ele umas duas vezes até uma avenida (que depois soube que se chamava Angélica), perto de casa, no bairro de Santa Cecília, onde erguia-se um casarão meio antigo. Lá adentrando, numa das vezes, lembro-me bem de algumas moças numa espécie de recepção e, depois, ao entrarmos nas demais dependências do local, havia uma sala com um vidro, onde duas ou três pessoas falavam na direção de grandes microfones meio suspensos. Meu pai pediu-me que fizesse silêncio e, então, entramos numa outra sala, onde havia algumas pessoas conversando, sendo que notei umas duas lendo umas folhas.



**Robert Young como Jim Anderson**


5 - E a dublagem surgiu de que forma para Ênio Ferreira?

R: Respondo através do depoimento que meu pai escreveu em 2003, quatro anos antes de falecer, para um site sobre televisão.
 Transcrevo o seguinte, com relação à pergunta proposta:
 -Ênio: "Foi entre 1958/1959 que começaram a surgir no Brasil os primeiros filmes dublados, uma grande novidade na época. Inúmeros radioatores foram convidados para testes. Fui escolhido, depois de um teste, para dublar Robert Young, protagonista da série "Papai Sabe Tudo"(Father Knows Best) e que passou a ser exibido no horário nobre da TV Tupi, às 20h. de domingo".
 De qualquer forma, foi importante para mim ter assistido a vários episódios dessa série, pois como já estava com 12 ou 13 anos e, obviamente, o grau de entendimento de um adolescente dessa idade é bem superior ao de um garotinho de 5 ou 6 anos, que houvera assistido aos últimos anos da primeira apresentação da Tupi. As situações eram relativamente simples e, portanto, mesmo com a pouca idade que tinha, dava para compreender razoavelmente bem os episódios (me refiro à primeira vez que foi apresentada e, no meu caso, que assistia aos episódios entre 63 e 64), tanto assim que, quando a Globo exibiu, meu pai conversava comigo sobre o "Papai Sabe Tudo", anos mais tarde (lá por 1967/68), eu reconhecia a descrição que ele fazia da série imediatamente, e quando cantarolava a música tema eu era remetido, através da memória afetiva, aos primeiros anos em que a assistia (1961/1962), aí sim com menos entendimento e, talvez, até por compreender menos (ou quase nada) o enredo, acabasse prestando mais atenção em outros aspectos do seriado, como as vozes dos personagens e, claro, a linda música que se fixou para sempre no meu coração, mesmo depois de muito tempo sem ouví-la.


6 - Ele dublou durante muitos anos o ator Robert Young na série “Papai Sabe Tudo”, produzida nos Estados Unidos entre 1954 e 1960. Ele comentava sobre as dublagens, o que ele achava dessa nova profissão que surgia no início da década de 1960 ?

R: Tive a oportunidade de ir até o bairro da Lapa, onde ficava o estúdio, com meus pais. Lembro que, assim como na Rádio São Paulo, também, coincidentemente, foram duas vezes, se a minha memória não estiver me enganando. A diferença é que lembro bem da minha mãe junto conosco. Eu era, com certeza, um pouco mais velho do que quando havia ido com meu pai até a sede da emissora das radionovelas, então acho que é por causa disso que lembro mais do estúdio de dublagem do que o da Rádio São Paulo. O engraçado é que me lembro muito bem que eu e minha mãe ficávamos dentro do lugar onde os dubladores faziam o seu trabalho, o que não acontecia na Rádio São Paulo. Os comentários dele sobre a dublagem eram muito positivos, pois era uma experiência nova para ele e para todos que se aventuraram naquela empreitada. Gostava também do fato da Tupi ter colocado o Papai Sabe Tudo (nos primeiros anos da série, acho que lá por 1959/1960) no horário nobre de Domingo, às 20 horas. Mostrava-se contente, ainda, pelo fato da série, em sua opinião, transmitir valores bons com relação a uma instituição que prezava muito, "a família". Em 1962 ou 1963, não sei ao certo, foi o último ano da dublagem da série no Brasil e, por coincidência, ele recebera uma oferta  do consulado americano para fazer a Voz da América. Mas ficou contente por ter sido o seu descobridor,  o irrepreensível homem de Rádio e Televisão, Ribeiro Filho, o dublador escolhido para substituí-lo. Aliás, a adoção do pseudônimo artístico Ênio Ferreira, ao invés do uso de seu nome verdadeiro, Nathalino Haddad, foi um conselho do Ribeiro Filho, ainda no "Clube o Canguru Mirim". Ponderou, em 1950, que Nathalino definitivamente não era um nome radiofônico. 


7 - A voz dele se adaptou perfeitamente ao personagem, além da excelente interpretação. Ele dublou outros personagens em filmes ou séries de TV ?

R: Rezava seu contrato que NÃO poderia fazer qualquer dublagem de protagonistas ou mesmo de coajuvantes de qualquer série. Com isso só lhe sobrava uma brecha para que pudesse ganhar um dinheirinho a mais, através de personagens pequenos, sem muita representatividade, geralmente com poucas falas nos filmes e séries. Então, segundo ele, quando terminava de gravar o "Papai Sabe Tudo" e, por um acaso, estivessem precisando de um dublador para um índio, um mordomo, um convidado especial de algum episódio de seriado, recorriam a ele, assim como a outros que por ali estivessem, desde que as normas contratuais de seu contrato assim permitissem . Lendo o depoimento de meu pai, fiquei sabendo que o contrato do profissional não era com o estúdio de dublagem (no caso a Gravassom e, depois, AIC), mas sim com a distribuidora do "Father Knows Best", a Screen Gems do Brasil.


8 - Você o acompanhava algumas vezes ao estúdio Gravasom para a realização das dublagens. Do que você se recorda que gostaria de nos contar ?

R:  Uma super bronca que me foi dada por um homem (anos depois vim a saber, através de meu pai, que foi o diretor de dublagem que me passou a carraspana, rs.). Fui perguntar algo a minha mãe e acabei exagerando no tom de voz e, claro, fui justamente repreendido pelo moço. 





**Papai Sabe Tudo: série de enorme sucesso**




9 - Nas décadas seguintes, a que atividades seu pai se dedicou?


R: Formou-se em Direito em 1965 (na verdade teve que trancar a matrícula no 4º ano de Direito, nos anos 50, acho que em 53 ou 54, porque não estava mais conseguindo conciliar seus estudos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco com as atividades radiofônicas, de locutor comercial e de dublagem durante toda a década de 50 até o começo da de 60, pois havia se casado em 1957 e, logo vieram os filhos que, se por um lado alegrariam o lar, por outro trariam mais e mais despesas. Meu pai começou a gravar dois programas na TV 2 Cultura (como era denominada na época a TV Cultura de São Paulo), era eu que o acompanhava todos os sábados, das 8h até 22h e também em algumas quartas-feiras à noite, quando ele gravava os programas que seriam apresentados por aquela emissora, que ainda não havia sido inaugurada (o seria meses depois, ainda em 1969).  Tendo acompanhado meu pai por alguns meses (depois continuaria a frequentar o local até o final de 1971, sendo que ele trabalhou na emissora até o começo de 1972, perfazendo um período de dois anos e meio, quase três). Principalmente no ano de 1969, quando todos envidavam esforços para conseguir cumprir o "deadline" referente à data da inauguração da emissora, com direito a coquetel e presença de muitas autoridades e, mais importante, a transmissão do programa inaugural, cuja produção e edição estavam um tanto quanto atrasadas. 


10 - Quais foram os melhores amigos de seu pai no meio da dublagem? Você se recorda dele citando os seus companheiros da época da Gravasom/AIC?

R:  Na verdade quando o "Papai SabeTudo" foi reprisado pela TV Cultura em 1990, meu pai se comunicava muito, por telefone, com o dublador Marcelo Gastaldi. Enfim, lembro bem disso numa das poucas vezes em que ia a São Paulo. O assunto da conversa era com relação às dúvidas que tinham sobre eventuais direitos de imagem, ou melhor, nesse caso de voz, que poderiam reivindicar, tendo em vista esta nova reprise do "Papai Sabe Tudo". Ele sempre comentava que tinha um ótimo relacionamento com esse dublador. Com Márcia Cardeal, pela diferença de idade, claro, não tinha como se estabelecer, na época da dublagem da série, uma relação de amizade adulto/adulto e, imagino, deve ter-se estabelecido uma relação profissional entre um jovem adulto de vinte e poucos anos e uma garotinha de uns... sei lá, talvez uns 10 ou 11 anos. Já na qualidade de radioator, muitos foram os colegas com quem meu pai construiu amizades. Encontrava-se muito, nos restaurantes e cantinas com muitos deles. Lembro muito do ator/dublador Dante Ruy, que trabalhou com ele na Rádio São Paulo. As radioatrizes Riva Nimitz, Arlete Montenegro, Gilmara Sanches, Maria Tereza (comediante de mão cheia, cujo último trabalho foi aquele da fofoqueira da Praça é Nossa), Luís Gustavo (com quem trabalhou na Tupi), Maestro Erlon Chavez, Geraldo José de Almeida, o grande locutor de futebol, primeiro no rádio e, depois, na televisão.


11 - A série “Papai Sabe Tudo” contou com 6 anos de produção, num total de 203 episódios. A grande maioria deles, dublados aqui no Brasil pelo seu pai. Foi exibida durante muitos anos na televisão brasileira, conquistando gerações e gerações de fãs desde o final da década de 1950. Deixe uma mensagem a estes fãs, que por tanto tempo tiveram o prazer de ouvir Robert Young na voz de Ênio Ferreira, nosso eterno Papai Sabe Tudo Brasileiro.

R: Eu só posso agradecer muito a todos vocês que tiveram a chance de assistir e ouvir o ótimo ator Robert Young falar através da voz de meu velho e expressar toda a alegria que, com toda a certeza ele, Ênio Fereira, teria ao saber que vocês, que assistiram ao "Papai Sabe Tudo", seja no entroncamento das décadas de 50 e 60 (e esses têm com certeza pelo menos cinquenta e poucos anos..no mínimo!!), ou aos mais jovens que assistiram à reprise da Cultura em 1990 (que também já devem ter, pelo menos, uns 28/30 anos). A todos vocês, eu gostaria que soubessem que Ênio Ferreira, onde quer que esteja, está muito contente por ser reconhecido por vocês e que ele sempre procurou fazer o melhor possível pensando justamente em vocês, eternos garotos, adolescentes, e jovens das décadas de 50, 60, 70, 80 e de sempre! Sou e sempre serei um devedor eterno de você, Thiago, e a todas as outras pessoas envolvidas nessa tarefa importantíssima de resgatar os nomes desses profissionais que ajudaram a fazer "BOA PARTE" da história da nossa televisão, aqueles que dublaram os personagens de suas séries, desenhos e filmes, verdadeiros pioneiros, contratados principamente entre os profissionais do radioteatro paulista, pois foi na capital de São Paulo que a dublagem teve seu início e se tornou aquilo que é hoje, a ponto de saber QUE NÃO SOU APENAS EU QUE ME RECUSO A ASSISTIR UMA SÉRIE ANTIGA, se a mesma estiver legendada, mas não apenas isso não, TEM QUE, PRINCIPALMENTE, VIR COM SUA DUBLAGEM ORIGINAL. Isso é um sinal inequívoco da qualidade empreendida por todos aqueles atores que, COM SEU TALENTO E CRIATIVIDADE, emprestaram suas vozes brasileiras para que os atores estrangeiros pudessem se expressar e serem compreendidos pelo nosso povo. Para os fãs, que tiveram a oportunidade de assistir Robert Young falando português através da linda voz do dublador brasileiro, Ênio Ferreira, fico contente de poder passar infomações adicionais desse artista que adorava dublar essa série, e que não escondia o fato de que foi o trabalho que mais lhe deu prazer.



**Agradecemos a Ricardo Haddad pela sua gentileza em nos proporcionar este depoimento**


*VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE PAPAI SABE TUDO COM A DUBLAGEM DE ÊNIO FERREIRA**


**Colaboração: Thiago Moraes**

**Marco Antônio dos Santos**

10 de outubro de 2013

MEMÓRIA AIC (19): A CALDEIRA DO DIABO



A Caldeira do Diabo (Peyton Place) foi uma série de televisão baseada no livro de mesmo nome, escrito por Grace Metalious, que chegou a vender mais de sessenta mil cópias somente nos primeiros dez dias do seu lançamento nos Estados Unidos e assim permaneceu na lista de best-seller do New York Times por 59 semanas.

O livro segue a vida de três mulheres solitárias, a reprimida Constance MacKenzie, sua filha ilegítima chamada Allison e sua amiga Selena Cross, numa pequena cidade do interior, descrevendo toda a hipocrisia, desigualdade social e o privilégio de classe, num conto que também inclui incesto, aborto, adultério, luxúria e assassinato.

Mais tarde o livro virou também um controverso filme, dirigido por Mark Robson e estrelada por Lana Turner, Lee Philips, Lloyd Nolan e Arthur Kennedy, entre outros, em 1957, que se tornou a segunda maior bilheteria do Cinema nos Estados Unidos, no ano de 1958.
A história do filme tem início em 1941, num lugar chamado Peyton Place, onde a maioria das pessoas trabalham numa fábrica de tecidos, frequentam igrejas de diversas religiões diferentes e as crianças de famílias abastadas estudam numa boa escola secundária.


**CARTAZ DO FILME**

O filme foi tachado de subverter os famosos melodramas hollywoodianos, enfrentou forte censura, mas também abriu caminho para outros filmes, ao desmascarar a hipocrisia dos habitantes de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, ao esconder seus “pequenos segredos” como adultério, estupro e suicídio.
Apesar disso, o filme foi muito bem recebido pela crítica especializada e também foi indicado para diversos prêmios importantes do Oscar daquele ano, bem como pelo Globo de Ouro e outros prêmios.


Nesse mesmo ano, a romancista Grace Metalious escreveu uma sequência de Peyton Place denominada “Return to Peyton Place”, em 1959, que possuía os mesmos elementos da obra original. O livro foi também um sucesso.


Este livro também foi adaptado para o cinema, num filme de 1961, produzido por Jerry Wald e dirigido por Jose Ferrer, com roteiros de Ronald Alexander. O filme contou com Carol Lynley como Allison MacKenzie, Jeff Chandler como Lewis Jackman, Eleanor Parke como Constance Rossi e Robert Sterling como Mike Rossi, entre outros.


**CARTAZ DO 2º FILME**


O sucesso dos dois filmes acabou gerando uma duradoura série de televisão denominada  Peyton Place, considerada como uma das primeiras “soap opera” da história da tv americana, estabelecendo o primeiro drama tórrido, abrindo caminhos para as futuras séries. 


Para quem não está acostumado aos termos televisivos, “soap opera” pode ser vista como um seriado composto por episódios que são transmitidos regularmente, tendo duas características principais: o desenvolvimento da história que se prolonga por vários episódios sequenciais, como uma telenovela. A outra característica é que a produção inicia-se sem um calendário previsto para o seu término.


A série foi apresentada originalmente nos Estados Unidos, pela rede ABC, entre 15 de setembro de 1964 a 2 de junho de 1969, num total de 514 episódios.



A série também serviu de escada para o estrelado de Ryan O´Neil, Mia Farrow e David Canary. A trama narrava os acontecimentos de num pequeno lugarejo chamada Peyton Place, na cidade de New England, local onde se escondiam alguns segredos importantes e escândalos de duas gerações dos habitantes da cidade.


Triângulos amorosos entre os principais personagens e suas consequências, mães solteiras, prostituição, adultério e outros assuntos denominados proibitivos na época eram os temas abordados constantemente.





**PEYTON PLACE NO BRASIL**

 No Brasil, a série foi apresentada pela TV Record, com o título de "A Caldeira do Diabo", tendo estreado em meados de 1967.
Peyton Place foi filmado entre 1964 a 1966 em preto e branco (as duas primeiras temporadas) e de 1966 a 1969, colorida. Ambas foram produzidas através da 20th Century Fox Television. 

A Tv Record exibiu somente a 1ª temporada, aos domingos, às 22h30, mas a série gerou muitas polêmicas para a época no Brasil.
 A "soap opera" conseguiu uma razoável audiência, mas devido à Censura, a Tv Record não se interessou mais em adquirir outras temporadas, encerrando a sua exibição.

Somente em 1970, a 1ª temporada retornaria a ser exibida pela Tv Bandeirantes.




Em 1971, a Tv Tupi além de exibir a 1ª temporada também adquiriu a 2ª, a qual foi dublada também pela AIC.

 Neste intervalo entre 1967 a 1971, muitos dubladores sairam da AIC, assim muitas vozes foram alteradas para os personagens principais.


A forte Censura do período militar decidiu que o título do programa deveria ser alterado. A saída encontrada pelo tradutor foi alterar o nome do seriado para "Cidade sem Deus", assim os episódios da 2ª temporada ficaram com esse título na abertura.
 A Tv Tupi exibiu diariamente por volta das 23h. as duas primeiras temporadas já dubladas, a 1ª em 1967 e a 2ª em 1971.

Assim, A Caldeira do Diabo não teve a sequência das outras temporadas, pois a emissora a cancelou da programação.


Somente em 1993, quando o canal a cabo Fox chegou ao Brasil, a série retornou, sendo exibida as duas temporadas dubladas pela AIC, durante dois anos.


**A DUBLAGEM**





A dublagem realizada pela AIC possui uma qualidade excepcional e envolveu diversos profissionais, uma vez que houve uma alteração bem grande dos dubladores da 1ª para a 2ª temporada.

Isso decorreu do fato de que entre o final de 1967 até o início de 1971, foi o período que muitos sairam do estúdio para novos projetos, porém surgiram outros dubladores que continuaram com a mesma qualidade.

Destaca-se, sem dúvida, a presença de Gilmara Sanches, a qual logo ficou somente com direção de dublagem, assim podemos notar o seu trabalho primoroso.


Ézio Ramos, seu esposo na época, dublando juntamente, além de Gessy Fonseca, Líria Marçal, Neville George, João Paulo Ramalho, Dulcemar Vieira, Waldyr Guedes, Judy Teixeira, Rodney Gomes, Olney Cazarré, Isaura Gomes, Dráusio de Oliveira, Garcia Neto, Sandra Campos entre tantos outros.


As duas temporadas mostram bem o apogeu do estúdio AIC, o qual mesmo com alterações manteve uma qualidade incontestável na dublagem.



**ATORES / PERSONAGENS PRINCIPAIS / DUBLADORES**



*Lola Albright (Constance MacKenzie): 

Gessy Fonseca (1ª temporada).

*Dorothy Malone (Constance MacKenzie):

Líria Marçal (2ª temporada).

*Ed Nelson (Doutor Michael Rossi): Neville George (1ª temporada) e João Paulo Ramalho (2ª temporada).


*Mia Farrow (Allison MacKenzie): Nícia Soares (1ª temporada) e Nair Silva (2ª temporada).


*Ryan O'Neal (Rodney Harrington): Osmar Prado (1ª temporada) e Rodney Gomes (2ª temporada).


*Barbara Parkins (Betty Anderson): Gilmara Sanches.


*Kasey Rogers (Julie Anderson): Dulcemar Vieira (1ª temporada) e Judy Teixeira (2ª temporada).


*Tim O'Connor (Elliot Carson): Wilson Ribeiro.


*Christopher Connelly (Norman Harrington): 

Olney Cazarré.

*Patrícia Morrow ( Rita Jacks): Sandra Campos.


*James Douglas (Steven Cord): Carlos Alberto Vaccari (1ª temporada) e Ézio Ramos (2ª temporada).


*George Macready (Martin Peyton): Miguel Rosenberg (1ª temporada) e Eleu Salvador (2ª temporada).


**Narrador da abertura e do ínício do capítulo: Arakén Saldanha (1ª voz), Emerson Camargo (2ª voz) e Carlos Alberto Vaccari (3ª voz).



**Aqui, alguns vídeos para relembrar a primorosa dublagem da AIC** 

 **1ª TEMPORADA**

*VÍDEO 1: Narração de Arakén Saldanha.

Participação de Miguel Rosenberg e Carlos Alberto Vaccari.




*VÍDEO 2: Dulcemar Vieira.





**2ª TEMPORADA**


*Gilmara Sanches, Ézio Ramos e Isaura Gomes.





*Dráusio de Oliveira e Elaine Cristina



**Marco Antônio dos Santos**