4 de novembro de 2015

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (07): OS INVASORES



Os Invasores foi uma série de ficção científica, criada por Larry Cohen, produzido por Quinn Martin, dirigida grande parte por Paul Wendkos, com tema de abertura composta por Dominic Frontiere, protagonizado basicamente por Roy Thinnes e Kent Smith.

Segundo vários autores a série foi baseada num filme de 1956, produzido nos Estados Unidos, dirigida por Don Siegel, chamado "Vampiro de Almas", estrelado por Kevin McCarthy e Dana Wynter. Esta tese é ainda mais reforçada pelo roteiro do episódio "As Sementes", cujo ator convidado é Gene Hackman.

A série foi apresentada originalmente, nos Estados Unidos, pela rede de televisão ABC, de 10 de janeiro de 1967 até 26 de março de 1968, num total de 43 episódios.


A série contou também com as participações de vários artistas convidados como Suzanne Pleshette (Vicki), Edward Andrews (Mark Evans), Lin McCarthy (Fellows), Roy Jenson (Roy Jenson), Rodolfo Hoyos (Miguel), Val Avery (Manager), William Stevens (Cobbs), Ted Gehring (Cabbie), Tina Menard (Mama), Tony Davis (Boy), Roberto Contreras, Pedro Regas (Beggar), entre outros.

O primeiro episódio da série chamada "Beachhead" (Cabeça de Praia), iniciava com um fundo musical de dar arrepios, assinado pelo mestre Dominic Frontiere e o cenário de uma localidade deserta, escura, abandonada, percorrida por um Ford Sedan prateado, com teto de vinil branco, dirigido por David Vince, interpretado por um ator até então desconhecido chamado Roy Thines.

Começava assim a fantástica saga de David Vincent, um homem comum, um arquiteto bem-sucedido, que de forma inusitada, ao presenciar e testemunhar a aterrissagem de um disco voador, uma nave de outra galáxia, mudaria totalmente a sua vida. Por exatos 43 episódios, David Vincent passaria a ter dois únicos objetivos na vida: de forma desesperada, tentaria evitar os planos de invasão da Terra e procuraria um meio de convencer um mundo descrente de que o pesadelo já havia começado. 



Os invasores eram seres de um planeta que estava para ser extinto e já se encontravam entre nós, haviam tomado a forma humana e tinham iminentes planos de invasão em massa para fazer da Terra o seu mundo. Apesar de se confundirem com a aparência humana, os invasores não tinham pulsação, não apresentavam batidas cardíacas, não possuíam sangue nas veias e alguns apresentavam uma notável deformidade no quarto dedo das mãos, causada por um erro de cálculo no processo de mutação para a forma humana. 

Após algum tempo na forma humana, precisavam se regenerar em gigantescos tubos movidos por geradores potentíssimos de tecnologia alienígena e brilhavam feito incandescentes antes de morrer, eram pulverizados e não deixavam rastros ou sinais de suas presenças na forma humana. Os episódios que compõem toda a trama é centrado numa personagem inicialmente tido como um lunático pela opinião pública.



Um arquiteto que é motivo de chacota em todo lugar que aparece, mas que representa o que parece ser a única tábua de salvação para uma humanidade descrente. Um personagem solitário que enfrenta uma raça de seres invasores que objetivam o domínio pleno do mundo terreno. 

No Brasil, esta série era distribuída pela TV Interamericana do Brasil, com a dublagem da TV Cinesom/RJ. 

Durante a série, Vincent gradualmente convenceu um pequeno grupo de pessoas a ajudá-los a combater aos alienígenas, principalmente o industrial milionário Edgar Scoville (interpretado por Kent Smith), que se tornou um personagem semi-regular em dezembro de 1967.



*Kent Smith (Edgar Scoville)*

A espaçonave com que eles chegam à Terra é um disco voador de aspecto derivado daquele mostrado nas fotografias controversas de George Adamski, porém, ao invés de possuir três esferas na parte inferior a nave dos invasores tem cinco saliências cavadas.


 Era um princípio da equipe de produção não apresentar um visual de cenários e objetos cênicos que fossem totalmente alienígenas comparados aos equipamentos humanos convencionais (como H. R. Giger fez em Alien). O modo preferido pelos alienígenas para matar alguém era aplicar um disco com cinco luzes brilhantes na nuca, causando hemorragia cerebral.





**A SÉRIE NO BRASIL**


Os Invasores estreou na extinta Tv Tupi em meados de 1967 em horário nobre. Após a exibição das duas temporadas, a série foi retirada do ar, uma vez que a audiência  esperada era bem maior.

Naquele ano, havia diversas séries de ficção científica no ar, as quais utilizavam o máximo possível de efeitos especiais.

 Já Os Invasores, primava pelos roteiros bem construídos dos episódios e o mínimo de efeitos especiais, o que gerou um certo desequilíbrio na audiência nos Estados Unidos e também no Brasil.


Sendo assim, a série retornaria somente em 1973, pela mesma Tv Tupi, sendo exibida às quartas-feiras, às 23h., porém não chegou a exibir totalmente as duas temporadas, mas a grande novidade foi que era a primeira vez que Os Invasores era exibido colorido no Brasil. Isto trouxe um grande interesse para a época, já que a tv brasileira produzia pouquíssimos programas coloridos.


Em 1976, a série migra para a TV Bandeirantes, sendo exibida às 18h. A série já havia conquistado o público brasileiro e, em 1979, começa a ser exibida pela Tv Record às 18h30.


Após esta última exibição, a série foi devolvida para a distribuidora e ficou totalmente fora da nossa tv durante quase 13 anos, retornando somente em 1993, pela mesma Tv Record, às terças, 17h30.

Mas, já eram outros tempos da nossa televisão e um episódio de 50 minutos de duração não cabia dentro de 1 hora, devido à quantidade de comerciais.
Assim, a emissora fez cortes violentos em diversos episódios, muitas vezes editando imagens, a fim de acelerar a história, ou cortava trechos do início, da abertura, enfim a exibição foi prejudicada nesse sentido.



Os Invasores teve um grande espaço pela extinta tv a cabo Tele Uno entre 1994 a 1999, onde foram exibidos todos episódios com dublagem em espanhol e, posteriormente, numa reprise com a dublagem da TV Cinesom.


Já o canal TCM preferiu exibir a série há cerca de 4 ou 5 anos totalmente legendada, devido aos problemas técnicos da dublagem.

Atualmente, a série pode ser vista pela Rede Brasil e com a dublagem brasileira.


**A DUBLAGEM DA TV CINESOM**


Os Invasores foi uma das últimas séries dubladas pela 1ª fase do estúdio Tv Cinesom. Logo em 1968, após a série ter sido dublada, a direção do estúdio ficou com Hélio Porto, através de um arrendamento efetuado devido à situação econômica do estúdio.


A dublagem da série foi altamente prejudicada pelos equipamentos técnicos utilizados, deixando um áudio com muito chiados, às vezes um pouco encubado e as vozes dos dubladores acabaram ficando abaixo do nível da trilha sonora. Todos esses problemas técnicos citados, foram constantes nas dublagens da TV Cinesom.


Entretanto, os dubladores que participaram eram de uma enorme experiência com a interpretação com a voz e a escalação trouxe sempre o que havia de melhor, na época, para essa dublagem.


Evidentemente, o ponto alto foi a escalação do dublador Nilton Valério para dublar o personagem principal. Sem dúvida alguma, houve uma integração perfeita e magistral.


Devido a instabilidade da TV Cinesom, Nilton Valério dublou até o episódio 29 (Labirinto), ainda no início da 2ª temporada. A partir do episódio seguinte a dublagem foi entregue a Luiz Carlos de Moraes,

que imprimiu um estilo diferente, mas com grande eficácia e competência.


*Nilton Valério (falecido em 2007)*

*Luiz Carlos de Moraes*

A dublagem ainda contou com Telmo de Avelar para o personagem Edgar Scoville (Kent Smith) e os dubladores escalados para os atores convidados foram de uma qualidade e experiência notáveis, o que enriqueceu a dublagem desta série.

Entre vários, destacam-se a presença de Magalhães Graça, Nelly Amaral, Ribeiro Santos, Gualter de França, Ida Gomes, Orlando Prado, Newton da Matta, Antônio Patiño, Luis Manuel, Neyda Rodrigues, Sônia de Moraes e, inclusive, Jorgeh Ramos que havia acabado de se transferir de São Paulo para o Rio de Janeiro.

Dos 43 episódios produzidos e dublados, apenas um perdeu totalmente a dublagem brasileira.
Durante a década de 1980, a Tv Interamericana do Brasil (que já havia alterado o nome para Teleshow, ainda no final dos anos 60) encerrou as atividades e os direitos de exibição foram para a Worldvision.

Em 1993, quando exibido pela última vez em rede aberta, a Tv Record não exibiu o episódio "Gênesis", um dos primeiros da 1ª temporada.
A distribuidora não tinha mais como recuperar o áudio da dublagem brasileira.
Este episódio foi exibido pela Tele Uno em espanhol e até colecionadores também não o possuem dublado em português.

Com o encerramento da Worldvision por volta do ano 2000, a Paramount detém os direitos de exibição.

**Episódio "Labirinto", último dublado por Nilton Valério**

Apesar dos problemas dos equipamentos do estúdio, a dublagem de Os Invasores é notável, devido à extrema interpretação com a voz. 
Uma verdadeira relíquia da história da nossa dublagem, a qual sobreviveu entre tantos descasos que ocorrem com a dublagem brasileira.


**VAMOS REVER 3 EPISÓDIOS DE
 OS INVASORES**


*1ª Temporada*

**VÍDEO 1 /


**VÍDEO 2 /




**2ª Temporada**


**VÍDEO  3 /



**VÍDEO 4/


**Colaboração: Edson Rodrigues**


*Marco Antônio dos Santos*

3 de outubro de 2015

MEMÓRIA AIC (25): KOLCHACK E OS DEMÔNIOS DA NOITE



"Kolchak e Os Demônios da Noite" foi exibido pela Rede ABC dos Estados Unidos entre 13 de Setembro de 1974 e 28 de Março de 1975. No Brasil, a série foi lançada pela TV Bandeirantes de São Paulo em Novembro de 1975. Entrava aos sábados, às 22h30, concorrendo com "O Sexto Sentido" - TV Tupi Canal 4 - série que também abordava aspectos ligados ao sobrenatural, estrelada pelo ator Gary Collins.

O personagem central de "Kolchak e Os Demônios da Noite" era um repórter a serviço de um jornal. Seu hobby era investigar crimes envolvendo causas misteriosas e improváveis. O problema é que ninguém acreditava nele, o que o forçava a se aprofundar cada vez em suas investigações.




A série foi precedida de dois telefilmes. O primeiro foi “The Night Stalker”, exibido em 11 de janeiro de 1972. O segundo foi "A Noite do Estrangulador - The Night Strangler”, exibida em 16 de janeiro de 1973. 

Ambos foram adaptados por Richard Matheson com produção a cargo de Dan Curtis e direção por conta de John Llewellyn Moxey.

 No papel principal estava o ator Darren McGavin, secundado por Simon Oakland, Carol Lynley, Ralph Meeker, Claude Akins e Barry Atwater.
 Havia a intenção de se produzir um terceiro telefilme sob o título“The Night Killers”  mas a ABC acabou optando por uma série semanal até em função da grande audiência obtida até então.



O personagem Kolchak originou-se de um romance chamado “The Kolchak Papers” escrito por Jeffrey Grant Rice, que narrava as aventuras de um repórter de um jornal de Las Vegas que investigava uma série de assassinatos consecutivos causados por um vampiro denominado Janos Skorzeny.

A série, no entanto, acabou fracassando. Algum tempo depois, diversos romances foram publicados no formato de livro de bolso com o título “The Night Stalker”, tendo a foto de Darren McGavin na capa.

Do elenco de "Kolchak e Os Demônios da Noite" já são falecidos:
Darren McGavin (07/05/1922 - 25/02/2006)
Simon Oakland (28/08/1915 - 29/08/1983)

**A SÉRIE NO BRASIL**


"Kolchack e os Demônios da Noite" teve apenas duas exibições no Brasil.
Estreou pela TV Bandeirantes em novembro de 1975 e somente retornou em 1990, pela TV Record, no horário das 23h, de segunda à sexta, tendo sido exibido todos os seus 20 episódios produzidos.

A série acabou se transformando em "cult", com a exibição de "Arquivo X", durante a década de 1990, após a declaração de Chris Carter sobre ser fã de Kolchack e que se inspirou na série para a criação de "Arquivo X".


**Darew McGavin num episódio de Arquivo X**

Darren McGavin participou duas vezes, em temporadas diferentes, como convidado especial, uma espécie de homenagem ao ator e também ao personagem que protagonizou na década de 1970, embora na pele de um outro personagem.

Além de "Arquivo X", Darren MacGavin também viria a participar da série "Millennium", também como convidado especial pelo mesmo criador das duas séries: Chris Carter.

**A DUBLAGEM DA AIC**


Curiosamente, os dois telefilmes pilotos não foram dublados pela AIC, mas sim pelo estúdio Herbert Richers, nos quais Kolchack é dublado por Waldyr Sant'Anna.

Em 1975, a AIC apresentava uma enorme crise financeira, mas a MCA Universal aceitou que a dublagem fosse realizada na AIC.
Nesse período, segundo declarações feitas por Amaury Costa a mim, em 1992, houve uma tentativa de salvar a AIC realizada pelos próprios dubladores.



Amaury Costa havia retornado do Rio de Janeiro e aceitou dublar o personagem principal, conforme suas palavras:

"Aceitei dublar o Kolchack porque eu e outros colegas queríamos salvar a AIC e tudo aquilo que representava. Havia um grupo que se empenhou intensamente na dublagem da série. Não poderia dizer que fizemos uma cooperativa, no sentido do seu significado, mas havia alguns pontos semelhantes.

Infelizmente, apesar da dublagem da série ter sido da qualidade que a AIC sempre realizou, o mercado da dublagem já estava bem modificado, no final de 1975, e não houve como resistir, devido a tantas dívidas que estavam acumuladas. Acabei retornando ao Rio de Janeiro e a AIC encerrou as portas no ano seguinte" (1976).

De fato, a série possui além de Amaury Costa, dubladores excelentes que estiveram no apogeu da AIC e alguns que começavam carreira de extrema qualidade também.
Há a presença em diversos episódios de José Soares, Noely Mendes, Ivete Jayme, Muíbo César Cury, Dolores Machado, Dráusio de Oliveira, Turíbio Ruiz, Marcos Lander, Nelson Batista, Áurea Maria, Gilberto Baroli, Mário Jorge Montini, Jorge Barcellos, entre outros.

Segundo o nosso banco de dados, após a dublagem de "Kolchack e os Demônios da Noite", em setembro/outubro de 1975, a AIC só dublaria a série "A Família Robinson", já no início de 1976, encerrando definitivamente as atividades.


**ELENCO / PERSONAGENS / DUBLADORES FIXOS**

*Kolchak: Amaury Costa.

*Tony Vincenzo: José Soares.

*Monica: Ivete Jayme.

*Ron Ridyke: Muíbo César Cury.

*Emmily Collins: Noely Mendes.


**VAMOS REVER 2 EPiSÓDIOS DE KOLCHACK**

**VÍDEO 1**




**VÍDEO 2**


**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Marco Antônio dos Santos**

2 de setembro de 2015

DUBLADOR EM FOCO (113): LUCY GUIMARÃES


Lucy Guimarães nasceu a 4 de julho de 1933.
 Apaixonada pelo radioteatro desde a adolescência, conseguiu ingressar para fazer "pontas" na Rádio Cosmos ainda com 16 anos de idade, com autorização de seus familiares.

Das pequenas participações logo estaria figurando no elenco de uma radionovela. Em 1950, é percebida pela Rádio Cultura, a qual faz um contrato como radioatriz da Casa, tendo Percy Aires como galã na maioria das radionovelas. A dupla fez um enorme sucesso durante cerca de 3 anos, principalmente com  a radionovela "Um Homem que volta", um enorme sucesso da época.

Por volta de 1953, a Rádio Cultura foi vendida para um outro grupo, o qual decidiu renovar todo o elenco na área de radionovelas. Assim, Percy Aires ingressa na TV Tupi e começa a participar de teleteatros, ainda ao vivo, e se tornaria um ator muito conhecido na década de 1960/70, através das telenovelas.

Já Lucy Guimarães, apaixonada pela interpretação com a voz, continuou a sua carreira no Rádio. Desta feita, em 1954, ingressa na Rádio Record e, em seguida, é absorvida pela Rádio São Paulo, a emissora que produzia um número gigantesco de radionovelas, detinha um dos maiores elencos de radioatores e era líder de audiência em radionovelas na cidade de São Paulo.

A Rádio São Paulo, na realidade, também pertencia ao grupo Record, mas muitos radioatores sempre eram testados na Rádio Record em uma radionovela e, poderiam ser promovidos para a Rádio São Paulo que chegou a ter cerca de 5 a 6 radionovelas diferentes, simultaneamente, para "fisgar" a audiência das "donas de casa" daquela época.

Lucy Guimarães participou de inúmeras radionovelas nessa emissora durante cerca de 12 anos.

Com o surgimento da dublagem em São Paulo, em 1958, os radioatores foram procurados para serem os primeiros dubladores, uma vez que sabiam interpretar com a voz.
 Já por volta de 1960, Lucy Guimarães faz pequenas participações no estúdio Gravasom (alguns episódios de "As Aventuras de Rin-Tin-Tin", conforme relato do saudoso Ronaldo Baptista), mas a dublagem não lhe despertou muito interesse, preferindo sempre o Rádio.

Entretanto, as radionovelas iniciam o seu declínio na 1ª metade da década de 60, uma vez que as telenovelas já estavam no gosto popular. Assim, cada vez mais, os radioatores vão perdendo espaço e necessitam procurar novas atividades.
Com o encerramento da Rádio São Paulo, o grande "celeiro" do elenco de dubladores da AIC, Lucy Guimarães ingressa na dublagem definitivamente a partir do 2º semestre de 1966.

Como já havia tido contato com a dublagem e era uma excelente intérprete com a voz, sua primeira dublagem na AIC, foi dublar uma atriz convidada num episódio da 1ª temporada da série Big Valley (esta informação nos foi relatada pelo saudoso Aldo César, o qual participou também desta dublagem e salientou a qualidade da colega numa estreia).

Devido a sua excelente qualidade de dubladora, participa ativamente de inúmeros filmes e dublando atrizes convidadas de séries de TV da época, Encontramos sua presença em Daniel Boone, A Feiticeira, Lancer, Jornada nas Estrelas, O Gordo e o Magro, Jim das Selvas, Terra de Gigantes, Os Monkees e muitas outras.

Um de seus trabalhos marcantes, que ampliou muito mais a sua carreira, foi a dublagem da atriz Eve Marie Saint no filme "Sindicato de Ladrões".

 Escalada por Ézio Ramos, que também dublou o ator Marlon Brando, Lucy Guimarães fez uma dublagem extremamente bem realizada, de acordo com toda a situação psicológica que a personagem sofria. Um excelente desempenho.

Na AIC dublou muitas atrizes em filmes e convidadas em séries de tv.
 Como personagens fixos encontramos:

*Dale Evans no Show Roy Rogers*

*Carol Parker interpretada por Barbara Bostock na série O Sótão*


*"Casey" interpretada pela atriz Wende Wagner na série O Besouro Verde*

Com a crise econômica da AIC, após dublar a personagem Steffy no desenho "Butch Cassidy e os Sundance  Kids", a partir de 1974 se retira do estúdio e dedica-se a outro tipo de atividade, mas, eventualmente, dublava algo no estúdio Álamo.

Somente com o surgimento do estúdio BKS, em 1976, é que Lucy Guimarães retorna efetivamente para a dublagem, atuando também no estúdio Centauro.

A década de 1980 foi muito produtiva para a dublagem paulista e muitos filmes clássicos foram dublados pelo estúdio BKS e Lucy Guimarães ganhou a atriz Doris Day em diversos filmes. Sua voz e interpretação se adequaram perfeitamente.

Um dos seus trabalhos memoráveis foi na dublagem do filme "O Homem que Sabia Demais" de Alfred Hitchcok, ao lado de Hélio Porto dublando o ator James Stewart.

Mas Lucy Guimarães também se destacou em desenho, sendo a voz mais frequente de Úrsula, a esposa de Ursolão em A Família Urso.


Dentre os diversos filmes que participou destacam-se:

*Laura (Ines Pedroza) em Terremoto*
*Chrissie (Susan Backline) em Tubarão*
*Loretta (Dimitra Arliss) em Golpe de Mestre*
*Margie (Elizabeth Thompson) em O Carro - A Máquina do Diabo*
*Mina Van Helsing (Jan Francis) em Drácula (1979)*
*Gretchen (Monica Lewis em Aeroporto 80*
*Vivien Skill (Yvonne Sanson) em O Dia da Ira*
*Kasturba Gandhi (Rohini Hattangadi) em Gandhi (1ª dublagem)*
*Susan Clark em Os Dobermans Atacam e Os Impiedosos*
*Susan Sarandon em A Primeira Página e Quando as Águias se Encontram*
*Ann Blessing em Eu, O Desejo e Uma História de Vampirismo*
*Dublou a atriz Doris Day em Confidências à Meia-Noite, Favor não me incomodar, Não me Mandem Flores e O Homem que Sabia Demais*
*Na dublagem do filme A Profecia (1976), dublou a babá Baylock interpretada pela atriz Billie Whitelaw*


**Babá Baylock no filme A Profecia de 1976**

Uma excelente radioatriz e dubladora que deixou excelentes trabalhos realizados na AIC e também na BKS.

Lucy Guimarães faleceu em 8 de março de 2009, aos 75 anos, de causas não divulgadas.


**VAMOS REVER A DUBLAGEM DE LUCY GUIMARÃES**

*DUBLANDO DALE EVANS EM "SHOW ROY ROGERS"*



*DUBLANDO A ATRIZ CONVIDADA NO EPISÓDIO "O INTRUSO" DA SÉRIE JORNADA NAS ESTRELAS (último episódio da série)*


*TRECHO DO FILME "A PROFECIA", NO QUAL DUBLA AO LADO DE SANDRA CAMPOS E LÍBERO MIGUEL**



**Fonte de Pesquisa: "Site Casa da Dublagem" (inclusive foto)**
"Acervo Pessoal"
"Depoimento de dubladores"
"Revista do Rádio, ed. de de fevereiro de 1967"

**Marco Antônio dos Santos**

2 de agosto de 2015

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (27): CIDADE NUA



A série “Cidade Nua” é uma das produções que revolucionaram a história da TV americana ao combinar a narrativa processual com o desenvolvimento psicológico de personagens vivendo situações que discutiam questões sociais. Até então, as séries policiais seguiam a cartilha estabelecida por “Dragnet”, outra produção que definiu o gênero introduzindo uma narrativa semidocumental, que eliminava o envolvimento pessoal ou emocional dos personagens em relação aos casos que investigavam. Quando “Cidade Nua” surgiu, adotou a linguagem semidocumental, mas a utilizou como apoio para narrar histórias com desenvolvimento psicológico.

Ao introduzir esse tipo de narrativa, “Cidade Nua” unificou o formato seriado e aquele explorado pelos teleteatros da época. Na década de 1950, as séries eram consideradas produções de ‘fácil digestão’. Eram programas populares, com roteiros simplificados e didáticos, que exploravam a relação herói x bandido como uma forma de entretenimento. Para conquistar a crítica e o segmento intelectual, a televisão começou a produzir teleteatros, que adaptavam obras da literatura ou do teatro, além de oferecer roteiros originais, que tinham como principal objetivo explorar personagens mais complexos.



Chamado pela crítica da época como drama legítimo, o teleteatro imperou ao longo da década de 1950. Mas seu alto custo, a audiência limitada a um segmento, e os perigos de abordar um conteúdo polêmico fizeram com que as séries dedicadas ao entretenimento se multiplicassem. Ao ser produzida, “Cidade Nua” uniu o drama processual policial, no qual detetives investigam crimes e prendem bandidos, com o ‘drama legítimo’, ao incluir personagens mais complexos. Apenas a série “Alfred Hitchcock Apresenta” tinha explorado essa abordagem, com uma narrativa antológica (sem personagens ou situações fixas).

Tal qual “Alfred Hitchcock Apresenta”, na série “Cidade Nua”, o ‘bandido’ era o personagem principal. A cada semana, a história apresentava a vida de uma pessoa que, por opção ou por acidente, comete um crime. A diferença ficava por conta do fato de que esta produção não era antológica. Para garantir um porto seguro, as histórias mantinham personagens fixos, que representavam a lei e a ordem diante do caos no qual viviam os personagens convidados

A série influenciou o gênero policial, fazendo surgir uma segunda linha narrativa, a qual é utilizada até os dias de hoje. A abordagem proposta por “Cidade Nua” abriu as portas para produções como “Além da Imaginação”, “Os Intocáveis” e “Os Defensores”, para citar apenas as primeiras produções da década de 1960, período no qual as séries dramáticas da televisão passaram a explorar uma narrativa de cunho mais social, questionando os direitos e deveres do cidadão e do estado, com personagens mais complexos. Entre elas,  “Os Defensores/The Defenders”, que fez pelo gênero de tribunal o que “Cidade Nua” tinha feito pelo drama policial.



A produção tem origem no trabalho do fotógrafo Usher Felling, mais conhecido pelo nome artístico de Wegee. De origem austríaca, a família de Felling se mudou para Nova Iorque na década de 1920. Apaixonado por fotografia, ele se dedicou a essa área, enfatizando o lado cruel e humano da vida da cidade. Em 1945, publicou o livro “Cidade Nua/Naked City”. A obra apresentava fotos de Nova Iorque em meio a seu glamour e sua pobreza, representados por close-ups ou cenas do cotidiano, vistas através de distorções óticas, que se tornariam sua marca.

O sucesso do livro inspirou a produção do filme noir “Cidade Nua”, de 1948, com o qual o fotógrafo não chegou a se envolver. A crítica aponta o filme como a primeira produção americana a retratar o neorrealismo europeu explorado por diretores como Roberto Rossellini e Vittorio de Sica.

Apresentando uma trama policial com narrativa semidocumental, o filme não chegou a agradar o público da época, mas chamou a atenção do produtor Herbert B. Leonard, que comprou os direitos da obra para adaptá-la para uma série de TV. O roteiro ficou a cargo de Stirling Silliphant, que seguiu a mesma estrutura da versão cinematográfica, incluindo o fato de ter sido filmada em externas.

Tendo a cidade de Nova Iorque como personagem da trama e o departamento policial como apoio, a série introduziu a cada episódio um elenco de atores convidados, que ficaram responsáveis por comandar as histórias. A compaixão, o egoísmo, a loucura, o amor, o ódio, a vingança e o perdão serviram como base para cada roteiro. O crime cometido era apenas uma consequência. Os motivos que levavam a pessoa a cometer um crime é que eram importantes.



Inspirada em casos reais, a série estreou no dia 30 de setembro de 1958, com episódios de meia-hora de duração. James Franciscus interpretava o detetive Jim Halloran, casado com Janet (Suzanne Storrs). Seu superior era o Tenente Dan (John McIntire) e seu colega, o oficial Frank Arcaro (Harry Bellaver).

Com 39 episódios produzidos para a primeira temporada a série não chegou a conquistar uma grande audiência nem tampouco a crítica. Muitos acusavam a produção de não respeitar o formato das séries, nas quais as histórias giravam em torno do elenco fixo. Ao introduzir histórias em que o convidado especial era o personagem principal, parte da crítica atacou a série por tentar se fazer passar por teleteatro e, o que era pior, exaltando os ‘desajustados’.

Nos bastidores, a produção passava por problemas. Por ser totalmente filmada em externas, equipe e atores estavam sujeitos ao clima, ao aval da prefeitura de Nova Iorque, ao trânsito (que muitas vezes não poderia ser fechado) e à população em geral. Muitas cenas eram gravadas de madrugada ou ao amanhecer, para evitar maiores problemas.

Financeiramente independente e acostumado às comodidades das filmagens dentro de um estúdio, John McIntire não aguentou, decidindo deixar o elenco antes do fim de seu contrato. O ator avisou a produção, oferecendo-se para gravar um episódio no qual seu personagem seria retirado da trama.

Após negociações, o ator gravou a cena em que o Tenente Dan leva um tiro e é morto em uma explosão quando seu carro bate em um caminhão de gasolina. Com isso, “Cidade Nua” entraria para a história como a primeira série na qual uma explosão é produzida e na qual um personagem fixo é assassinado. Para substituí-lo, entrou o ator Horace McMahon, que interpretou o Tenente Mike Parker.

Nesse meio tempo, os produtores tentavam transformar a série em um drama de 50 minutos. Procurando convencer os executivos da Columbia a entenderem que “Cidade Nua” era uma produção que desenvolvia personagens e não uma série de ação e aventura, os produtores conseguiram apenas que o canal ABC a cancelasse . A baixa audiência, as dificuldades e custos de filmagens externas, a saída de McIntire (na época um nome de peso), e os ataques de críticos de importantes veículos fizeram com que a produção se tornasse um produto indesejável para o canal.



Mas o patrocinador era fã de “Cidade Nua”. Na época, a venda de espaços publicitários era feita por blocos de horários. O principal patrocinador do horário era a empresa de tabaco Brown & Williamson, subsidiária da British American Tobacco, uma das maiores companhias de cigarro, responsável pela marca Luke Strike. Unindo-se aos produtores, a empresa convenceu a ABC a voltar a produzi-la, dando-lhe os 50 minutos por episódio que os roteiristas pediam.

“Cidade Nua” voltou a ser produzida em 1959, mas a segunda temporada somente estreou em 1960. Por isso, perdeu mais um dos atores principais: James Franciscus. Com o cancelamento da série, James foi contratado para estrelar o piloto de uma nova sitcom chamada “Band of Gold”, produzida por Norman Lear. Infelizmente, para o ator, a CBS envagetou o projeto após a produção do piloto, que foi exibido em 1961 dentro do teleteatro “G.E. Theatre”.

No lugar de James Franciscus entrou Paul Burke, interpretando um novo personagem: o detetive Adam Flint, que namorava uma aspirante a atriz, Libby (Nancy Malone). Para agradar os críticos, a produção decidiu dar mais ênfase aos personagens fixos, incluindo situações cômicas, dramáticas e românticas, além de fazê-los interagir mais com os atores convidados. Mesmo assim, eles continuavam a ocupar uma posição de coadjuvantes das histórias.

Por curiosidade, quando a série estreou no Brasil, o formato de meia hora de duração recebeu o título de “Passos da Lei”. Mais tarde, quando os episódios de uma hora de duração chegaram, o título em português passou a ser o mesmo do original, “Cidade Nua”.


Quando o novo formato estreou na TV americana, conseguiu conquistar o público e a crítica. Em 1963, a série registrava cerca de 34% da audiência de seu horário. Mesmo assim, “Cidade Nua” foi cancelada após quatro temporadas e 138 episódios produzidos no total. A notícia foi dada aos atores dois dias após a divulgação dos indicados ao prêmio Emmy, no qual a série conquistara nove nomeações.

Até hoje ninguém sabe os motivos que levaram a série a ser cancelada. Em entrevista ao fanzine The TV Collector, publicada em 1986, Paul Burke disse que o cancelamento teria ocorrido como resultado da disputa entre dois executivos da Columbia, que lutavam pelo comando.
“Cidade Nua” é uma das mais influentes séries policiais da história da TV americana. Além de sua contribuição para o formato seriado e para o gênero policial, a série também promoveu o surgimento de dezenas de atores novatos que, na época, lutavam ‘por um lugar ao sol’.

Tal como “Lei & Ordem” faria na década de 1990, “Cidade Nua” recebeu a contribuição da classe artística teatral de Nova Iorque. Passaram por ela nomes como Robert Redford, Martin Sheen, Dustin Hoffman, John Voight, Carroll O’Connor, Robert Duvall, Peter Falk, Suzanne Pleshette, George Segal, William Shatner, Christopher Walken, Diane Ladd, Dennis Hopper, Peter Fonda, Alan Alda, Jack Warden, George C. Scott, James Coburn, Gene Hackman, Shirley Knigh e outros, todos em início de carreira.


Apesar de seu valor para a história da televisão, a série ainda não recebeu da Columbia Pictures/Sony o tratamento adequado. Raramente é reprisada na TV, seja nos EUA ou internacionalmente, e nunca foi lançada devidamente em DVD. Entre 2005 e 2006, a Imagine Entertainment chegou a disponibilizar no mercado americano alguns episódios selecionados, distribuídos em três volumes com um total de nove discos. Mas não passou disso.

Tal qual o filme que a precedeu, a série utilizou a narração em seus episódios, a qual se transformou em um personagem à parte. No início de cada história, cabia ao narrador apresentar ao público o personagem que estrelaria o episódio da semana. Relatando seu histórico e sua personalidade, o narrador estabelecia a atmosfera de cada história. Ao final do episódio, a voz do narrador anunciava: “existem oito milhões de histórias na cidade nua…esta foi apenas uma delas”.

(Texto de autoria de Fernanda  Furquim)





 **A SÉRIE NO BRASIL**


A série foi exibida originalmente nos Estados Unidos, pela rede ABC, entre 30 de setembro de 1958 a 29 de maio de 1963, totalizando 138 episódios em preto e branco.

 No Brasil, foi lançada pela TV Record, Canal 7 de SP, em 04 de Março de 1963, uma segunda-feira, as 21h30, já mostrando os episódios estrelados por Paul Burke.
 Depois de reprisada no final da década de 60 pela TV Excelsior Canal 9 de SP, "Cidade Nua" foi relançada em 1989 pela TV Gazeta Canal 11 de São Paulo, numa faixa retrô que também apresentava "Perdidos no Espaço", "Judd", "Rota 66" e "Além da Imaginação".

Sua última exibição ocorreu em 1996, quando o canal a cabo Sony chegou ao Brasil. A série era exibida aos sábados às 15h, entretanto muitos episódios foram exibidos em inglês e sem nenhuma legenda.



**A DUBLAGEM DE CIDADE NUA**

*HORACE MAcHON (Tenente Mike): Waldyr Guedes.
*PAUL BURK (Detetive Adam Flint): Wilson Ribeiro.
*HARRY BELLAVER (Detetive Arkaro): Amaury Costa (1ª voz) e José Miziara (2ª voz).
*NANCY MALONE (Libby): Rita Cleós.
*Narração: Magno Marino (1ª voz) e Francisco Borges (2ª voz).


3ª TEMPORADA


É a partir desta temporada que os episódios possuem 50 minutos de duração e a série ganha muito mais tempo pára desenvolver os roteiros extremamente bem escritos.


A dublagem chegou à AIC em dezembro de 1962, sendo que a TV Record a estreou em março de 1963.

Esta temporada possui 33 episódios brilhantes em termos de interpretação dos atores convidados, muitos vindos do Cinema, e o desempenho de Paul Burke foi bem eficiente.
Esta é a única temporada que foi dublada completamente pela AIC.

A grande característica da dublagem é ainda a forte influência do radioteatro, porém ao assistirmos atualmente notamos a magnífica qualidade impressa pelos dubladores que participaram.


O diretor de dublagem foi Wolner Camargo, o qual também participou de diversos episódios. Naquela época, o elenco da AIC ainda não era tão grande, sendo assim há diversos dubladores oriundos do Rádio e do início da Televisão ao vivo.


O narrador ficou a cargo de Magno Marino, o qual deu toda uma característica especial ao relatar os fatos iniciais e sempre terminando com a célebre frase "há oito milhões de histórias na cidade nua... esta foi apenas uma delas".




Observa-se que o estúdio ainda não imprimia a inesquecível marca registrada: "Versão Brasileira AIC São Paulo".
Houve o cuidado de que Magno Marino nunca fosse incluído para dublar nenhum personagem.

Além dos desempenhos inigualáveis de Wilson Ribeiro, Waldyr Guedes, Amaury Costa e Rita Cleós para os personagens fixos, há uma verdadeira galeria de excelentes profissionais que estavam iniciando também na dublagem, alguns até sempre tendo uma participação maior em desenhos, dublaram nesta 3ª temporada.


Sendo assim, há a presença de Roberto Barreiros, Gastão Renné, Marthus Mathias, Lutero Luiz, Arakén Saldanha, Waldir de Oliveira, Nícia Soares, Márcia Real, Henrique Martins, Isaura Gomes, Neuza Maria, Rogério Márcico, Marcelo Gastaldi, Raymundo Duprat, Garcia Neto, Helena Samara, Osmiro Campos e até Laura Cardoso.


Um elenco extraordinário, que demonstra a qualidade da interpretação com a voz, mesmo ainda com a forte influência do radioteatro, para os fãs da excelente dublagem é uma verdadeira aula desses grandes pioneiros.


Entretanto, a TV Record só adquiriu esta temporada, a qual viria a ser reprisada alguns anos mais tarde.



4ª TEMPORADA


No final da década de 1960, a TV Excelsior exibe na íntegra a 3ª temporada e, ao mesmo tempo, adquire os direitos de exibição da 4ª e última temporada.


Infelizmente, a TV Excelsior já se encontrava numa crise financeira que culminaria com o encerramento das suas atividades e, sendo assim, apenas os 20 primeiros episódios foram dublados.


A data desta dublagem é aproximadamente de 1968 ou 1969, não conseguimos encontrar com certeza absoluta.

Entre a dublagem da 3ª temporada e a da 4ª se passaram cerca de 6 anos e a maioria dos dubladores havia procurado outros caminhos, principalmente, movidos pelo início do sucesso das telenovelas.

A narração é realizada por Francisco Borges e José Miziara substitui Amaury Costa para a dublagem do sargento Arkaro.

Outros dubladores excelentes participam como: João Paulo Ramalho, Áurea Maria, Ézio Ramos, Xandó Batista, Olney Cazarré e ainda continuam as excelentes Isaura Gomes e Helena Samara e outros do mesmo período.
Nesta temporada, Francisco Borges menciona a frase: "Versão Brasileira AIC São Paulo".



O fato de maior relevância é a diferença que a dublagem da AIC apresenta nas duas temporadas. A 4ª temporada já está totalmente sem a influência do radioteatro, os dubladores ainda fazem grandes interpretações com a voz (qualidade sempre da AIC), mas sem a carga que o radioteatro imprimia.

Seja como for, ambas dublagens são fascinantes e, infelizmente, quando a série retornou pela TV Gazeta de São Paulo, em 1989, muitos episódios já estavam sem dublagem e não puderam ser exibidos.

Em 1996, a Sony exibiu boa parte dessas temporadas e encontramos episódios que foram exibidos em inglês, uma vez que o áudio em português já estava prejudicado.

Infelizmente, como diz o texto de Fernanda Furquim, ainda não se deu o valor que a série Cidade Nua merece e, para nós brasileiros, o tema é muito mais complexo por dois motivos:

o primeiro é o fato da série ter sido produzida em preto e branco e segundo é o caso da dublagem não ter sido conservada adequadamente.
Consta que ainda a TV Guaíba de Porto Alegre conseguiu exibir mais episódios no início da década de 1990.



Mas, mesmo assim, a série poderia ser exibida por um canal a cabo, o que demonstra a falta de criatividade dos programadores dessas emissoras, que privam o público de conhecer ou de rever uma excelente produção da tv americana do início da década de 1960.

Registramos aqui, a qualidade de todos os profissionais que atuaram na dublagem de Cidade Nua, um desempenho extraordinário, o qual deveria ser útil para aqueles que queiram iniciar na carreira como dublador.

"Aprender a ouvir uma verdadeira obra de arte."



**VAMOS REVER 4 EPISÓDIOS DE CIDADE NUA**

**EPISÓDIO: "NUNCA O PERDOAREI"

OBS 1> Este é o 1º episódio da 3ª temporada e traz como atores convidados Lee J. Cobb e Geraldine Fitzgerald.

OBS 2> Arakén Saldanha dubla magistralmente o ator Lee J. Cobb e há a presença de Isaura Gomes e Osmiro Campos.

**VÍDEO 1**



**EPISÓDIO: "ARMADILHA HUMANA"

OBS 1> O ator Jack Lord é dublado por Henrique Martins.

OBS 2> Há a presença das dubladoras Márcia Real e Neuza Maria.


**VÍDEO 2**


**EPISÓDIO: "PESCA VALIOSA"


Obs> Participação de Garcia Neto

**VÍDEO 3**


**EPISÓDIO: "FALSAS CONFISSÕES"
Obs> Participação de Marcelo Gastaldi.

**VÍDEO 4**


**Marco Antônio dos Santos**