26 de julho de 2017

MEMÓRIA AIC (29): CAVALO DE FERRO


"Cavalo de Ferro" originou-se de um longa para TV chamado "Scalplock", exibido nos Estados Unidos em 10 de Abril de 1966. Nele, um personagem chamado Ben Calhoun ganha, num jogo de poker, uma ferrovia inacabada e abandonada. O elenco deste piloto trazia Dale Robertson na pele de Ben Calhoun e como coadjuvantes alguns nomes conhecidos da época (Diana Hyland, Lloyd Bochner, David Sheiner, Woodrow Parfrey e James Doohan).


A série propriamente dita iniciou exibição - nos Estados Unidos - em 12 de Setembro de 1966. Nessa primeira fase, 30 episódios foram produzidos. Uma segunda temporada foi vista a partir de 16 de Setembro de 1967, mas baixos índices de audiência determinaram seu cancelamento em 06 de Janeiro de 1968, com apenas 17 episódios.

O dia-a-dia de cada trama do programa mostrava Ben Calhoun no empenho de tornar a ferrovia um negócio lucrativo. Para tanto, ele precisava em primeiro lugar tentar finalizá-la. Mas tinha contra si sua falta de conhecimento para com o negócio, pouco dinheiro, ataques indígenas, assaltantes e banqueiros desonestos que buscavam obter o controle do empreendimento.


*Dale Robertson*


Produzida pela Screen Gems, as filmagens do programa ocorreram na histórica Sierra Railroad, nos arredores de Jamestown e Sonora (Califórnia).

A crítica americana ainda hoje é um tanto quanto severa ao mencionar a série. 
          "Cavalo de Ferro" tinha um bom elenco. Dale Robertson até conseguia se destacar, mas tinha contra si as limitações dos roteiros que lhe foram impostos.
 Gary Collins e Ellen Burstyn eram reconhecidamente bons, tanto que ganharam papeis melhores em anos posterior a série.

*Gary Collins*

**A SÉRIE NO BRASIL**


No Brasil, "Cavalo de Ferro" estreou na programação inaugural da TV Bandeirantes Canal 13 de SP, em Maio de 1967. Entrava às terças-feiras, 21h30, logo após a série "Ratos do Deserto".
 Consta que a TV Record  reapresentou a série no final dos anos 70 e início dos 80 (onde foi exibida pela primeira vez a cores em território brasileiro).

Cavalo de Ferro retornaria em 1990, pela TV Gazeta de São Paulo, às quartas-feiras, às 17h, exibindo somente a 1ª temporada.
 Foi a sua última exibição na tv brasileira.




**A DUBLAGEM DA AIC**

A dublagem desta série foi paralela a 1ª temporada de Perdidos no Espaço (início de 1967) e contou com os dois dubladores que estavam com grande destaque naquele momento: Astrogildo Filho e Ary de Toledo. 

Além da escalação do jovem Osmar Prado, há o elenco de excelentes dubladores da época e o jovem estreante na dublagem Hugo de Aquino Júnior que iniciou na AIC no ano de 1966, como pode ser ouvido dublando um convidado especial no episódio abaixo.

Apesar dos problemas da série nos Estados Unidos, a Screen Gems solicitou uma dublagem exemplar com o objetivo de que a série conseguisse obter audiência melhor no Brasil. Entretanto, mesmo a AIC utilizando o seu melhor elenco de vozes, com uma qualidade ímpar, Cavalo de Ferro passou despercebido entre nós.
Apesar disso, a série é uma magnífico exemplo do período áureo do estúdio.


**PERSONAGENS FIXOS / DUBLADORES**

*Dale Robertson (Ben): Astrogildo Filho.
*Garry Collins (Davi): Ary de Toledo.
*Bob Random (Bárnabas): Osmar Prado.
*Narração da abertura: Antonio Celso.

*VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE CAVALO DE FERRO*


**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Marco Antônio dos Santos*

16 de julho de 2017

DUBLADOR EM FOCO (114): YOLANDA CAVALCANTI

*Foto: Site Casa da Dublagem*

Yolanda Cavalcanti nasceu na década de 1930.
Assim como muito outros dubladores, o seu caminho foi a paixão pelas radionovelas e, por volta de 1952, já tentava ingressar em alguma Rádio para iniciar a sua carreira.
Sua primeira chance, ainda que pequena, veio através da Rádio América, onde ficou durante alguns anos.

Paralelamente, também iniciava a sua carreira no Teatro. Atuou na Companhia Mário Mascarenhas, em shows, como: Arco Iris de Sons (1959). Também integrou o Grupo dos 7, onde atuou nas peças: "O Mambembe", ao lado de grandes nomes do teatro brasileiro, como: Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Fernando Torres, Ítalo Rossi e muitos outros


Já no final da década de 1950, Yolanda Cavalcanti é contratada pela Rádio São Paulo, a emissora campeã em produções de radionovelas e o grande celeiro de futuros dubladores para a AIC.
Com sua capacidade interpretativa, também participa de radionovelas da Rádio Record.
As duas emissoras de Rádio pertenciam ao mesmo grupo "Emissoras Unidas", entretanto a Rádio Record produzia menos radionovelas, uma vez que possuía uma programação mais variada do que a Rádio São Paulo.

O fato é que diversos radioatores atuavam em ambas emissoras e até na TV Record, a qual pertencia ao mesmo grupo.
Assim como Gessy Fonseca, Yolanda Cavalcanti também atuou em alguns programas televisivos no início da década de 1960.

Em meados da década de 60, inicia o declínio das radionovelas e, o caminho natural para os radioatores foi a dublagem (embora muitos não conseguiram trilhar esse caminho).

Assim, no final de 1967, Yolanda Cavalcanti ingressa na AIC. No início pequenos personagens, mas a atriz conseguia dublar magnificamente comédias e dramas e personagens diferentes em filmes e séries de TV.

Aos poucos, foi ganhando um espaço maior na dublagem e a sua primeira experiência mais destacada, veio com o convite de Rodney Gomes para dublar a vilã Viúva Negra na 2ª temporada de Batman.

Esta dublagem data de início de 1968 e garantiu a Yolanda Cavalcanti o seu nome definitivo na galeria de grandes dubladores da AIC.


*A vilã Viúva Negra em Batman*


Daí em diante, foi uma constante em filmes e séries de TV da época como: Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Lancer, Terra de Gigantes, E as Noivas Chegaram, entre muitas outras.



**TRÊS PERSONAGENS FIXOS**


Já no final de 1968, Yolanda Cavalcanti ganha a personagem enfermeira Chapel na 3ª temporada da série Jornada nas Estrelas. Embora uma personagem pequena, linear, foi uma realização significativa.




Também surge o convite para dublar a vovó Daisy Moses na 1ª e única temporada dublada de A Família Buscapé.



Mas a sua grande chance veio ao substituir Sandra Campos na personagem Esmeralda na série A Feiticeira. Ao assumir a personagem no meio da 6ª temporada, Yolanda Cavalcanti deixou a personagem muito mais engraçada, atrapalhada com as feitiçarias erradas. Ficou com a personagem até o término da série e nos deixou um trabalho magnífico.



Já com o declínio financeiro da AIC, em 1972, participa da telenovela A Revolta dos Anjos na TV Tupi.

Assim, com o surgimento do estúdio Álamo, após o término de A Feiticeira, não retornou mais para a AIC. Somente retornaria já como BKS.

Na BKS, fez importantes e exemplares dublagens em diversos filmes, como Trama Macabra, último filme de Alfred Hitchcok.



*Katherine Helmond e Bruce Dern em Trama Macabra**


Yolanda Cavalcanti faleceu em 6 de maio de 2007, vítima de um acidente.


**VAMOS REVER ALGUMAS DUBLAGENS DESTA GRANDE DUBLADORA**

**A VIÚVA NEGRA EM BATMAN**
video

** ESMERALDA EM A FEITICEIRA**



**DUBLANDO A ATRIZ CONVIDADA JANE WYATT NA SÉRIE
 "E AS NOIVAS CHEGARAM"**

**FONTE  de Pesquisa: Site Casa da Dublagem
   Arquivo Pessoal
Depoimentos de dubladores.

*Marco Antônio dos Santos**